O ministro da Defesa disse esta quarta-feira no Porto que logo que haja uma conclusão sobre a investigação aos factos que resultaram na morte de dois jovens comandos ela será transmitida pelo Exercito e só depois analisada por si.

“Mas, seguramente, que como se pode compreender é ainda muitíssimo cedo para que essa investigação possa dar-se por concluída”, referiu Azeredo Lopes que esta quarta-feira irá ser questionado no Parlamento sobre esta questão e sobre o destino dos Comandos do Exército.

O ministro da Defesa falava aos jornalistas no final de uma visita à Escola Secundária Garcia de Orta, no Porto, no âmbito do arranque do ano escolar.

Questionado também sobre a data para o eventual recomeço do curso de comandos entretanto suspenso na sequência da morte dos dois jovens e do internamento de outros militares que se verificou após o treino do 127.º Curso de Comandos na região de Alcochete, o ministro disse que essa é “uma questão com um prazo mais alargado e mais transversal”.

“Esse inquérito foi determinado pelo Exército, uma decisão que me foi comunicada e que eu aplaudi, assim como também o fez o Sr. presidente da República. É uma daquelas situações em que, no meio desta tragédia, acho que as instituições funcionaram em pleno”, sublinhou.

Acrescentou que “essa investigação vai durar mais tempo porque se trata de uma investigação de fundo sobre a circunstância da formação e dos modos da formação dos comandos”.

Na visita que efetuou à Escola Garcia de Orta, o ministro da Defesa teve uma conversa com os alunos sobre o Referencial de Educação para a Segurança, a Defesa e a Paz, um programa de conteúdos educativos que tem como objetivo promover junto das crianças e jovens comportamentos que visem a prevenção de conflitos e a criação de um ambiente de segurança.

Depois de se ter iniciado como projeto-piloto em escolas do concelho de Baião, distrito do Porto, vai alargar-se a outros municípios já este ano letivo.

“Estamos a procurar é que gradualmente esse tipo de conteúdo educativo na esfera da educação para a cidadania sejam transmitidos aos estudantes de forma generalizada. Hoje em dia a segurança e a defesa são cada vez mais indissociáveis e eu acredito firmemente que, recusando sempre os excessos securitários, a segurança é apesar de tudo a condição ‘cine qua non’ para a existência das sociedades”, acrescentou.