O ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, afirmou que a eurodeputada socialista Ana Gomes se “acobarda” atrás da imunidade parlamentar para evitar ser constituída arguida quanto “às difamações” que vai fazendo.

“Não comento declarações de quem se acobarda atrás da impunidade parlamentar para, com isso, evitar ser constituída arguida em relação a muitas insinuações e difamações que, pontualmente, vai debitando.”


A eurodeputada questionou na terça-feira a Comissão Europeia sobre a possível violação da legislação comunitária relativa a ajudas de Estado pelo Governo com a adjudicação direta da construção de navios à WestSea/Martifer, em Viana do Castelo.

Numa carta enviada às comissárias europeias para o Mercado Interno, Elzbieta Bienkowska, e da Concorrência, Margrethe Vestager, Ana Gomes interroga se o executivo comunitário considera que “as sucessivas decisões do atual Governo de favorecimento do Grupo Martifer podem constituir auxílios estatais proibidos pelo Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia”.

Aguiar-Branco, que falou aos jornalistas à margem da inauguração da Fábrica Caetano Aeronautic, em Vila Nova de Gaia, acrescentou ainda que a eurodeputada tem uma “tendência doentia” para lançar a confusão, mesmo contra o interesse nacional.

“A verdade é que em Viana do Castelo está de novo a construção naval, que não morreu, tem mais de 500 trabalhadores neste momento a laborarem nos estaleiros, o que significa que é uma aposta estratégica correta e de sucesso que o Governo teve em relação a essa matéria.”


A crise na Grécia foi outro dos temas abordados pelo governante. Aguiar-Branco considera que a situação grega deve servir de “ensinamento” para aqueles que, em Portugal, “debitam” promessas que sabem não poder cumprir.

“Aconselho os que hoje fazem promessas em Portugal tenham devida atenção porque depois não as cumprindo acontecem situações iguais às da Grécia.”


O ministro lembrou que em campanha eleitoral o Syriza, atualmente no poder liderado por Alexis Tsipras, fez um “mar de promessas” que, agora, não pode cumprir.

“Quem faz promessas tem de ter a certeza que as pode cumprir porque isso acarreta consequências. O que se retira de ensinamento para cá é que quem faz promessas tem de ter certezas que as pode cumprir."


Contudo, o ministro Aguiar-Branco frisou que existe uma “genuína preocupação” com a crise grega para a qual deseja um “final feliz”.