O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, afirmou que a reforma das Forças Armadas permite retomar «uma lógica de reinvestimento» que vai refletir-se na nova Lei da Programação Militar (LPM), contribuindo a modernização dos três ramos.

O responsável pela pasta da Defesa falava aos jornalistas na base aérea de Beja, no final de uma visita ao exercício militar «Lusitano 2014», que decorreu nos últimos dez dias em vários pontos do país.

Aguiar-Branco referiu que a linha política seguida nos últimos anos «na zona ocidental do mundo», que dava a segurança e a defesa como «quase um bem adquirido», mudou e é preciso «parar a diminuição dos orçamentos».

«O importante é que hoje há uma consciência de que é necessário cuidar da segurança e da defesa para assegurar a harmonia entre as nações e para assegurar condições para o desenvolvimento, o bem-estar e a felicidade das nações», afirmou.

Acompanhado nesta visita pelas chefias militares, o governante sublinhou que Portugal tem procurado responder às novas diretas da NATO decidias na cimeira realizada no País de Gales e que apontam para um aumento para 2% do PIB nas despesas militares e uma maior prontidão operacional dos contingentes.

Questionado sobre a nova LPM, que não é revista desde 2009 e deve ser conhecida até ao fim do ano, Aguiar-Branco aproveitou para sublinhar o «caderno de encargos» que encontrou quando assumiu a tutela da Defesa Nacional, em 2011.

«As pessoas às vezes acham que é demais referirmos isto mas eu não acho, porque há três anos as preocupações que eu tinha como ministro da Defesa Nacional era a possibilidade de assegurar os salários até outubro, foi este o caderno de encargos que me foi deixado, era o que eu tinha em caixa», reporta a Lusa.

Neste contexto, o ministro considerou que as Forças Armadas deram «um exemplo» e levaram a cabo «uma reforma estrutural» que permite «retomar uma lógica de reinvestimento».

José Pedro Aguiar-Branco disse aguardar uma proposta dos chefes militares, mas assegurou que a LPM «vai com certeza permitir modernizar equipamentos da Marinha, da Força Aérea e do Exército».

«Se desejava ter ainda mais ? É evidente que é sempre melhor ter mais, mas demos o exemplo com os meios de que dispúnhamos, com a racionalização que fizemos, com a reforma estrutural que fizemos, com rácios mais equilibrados entre o que se gasta com pessoal e o investimento, estamos hoje em melhores condições do que estávamos há três anos», considerou.