O ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, considerou esta sexta-feira, em Mafra, que António Costa «tem várias caras» quando afirma que o país está diferente, mas que está pior devido às políticas do atual Governo.

«Quando está a falar para dentro do país fá-lo numa observação crítica relativamente ao estado do país, dizendo que está pior do que estava em 2011», notou o ministro, acrescentando que o secretário-geral do PS «quando fala num casino para uma comunidade estrangeira já reconhece que Portugal está melhor do que estava em 2011».

Para Aguiar-Branco, que falava à margem da assinatura de um protocolo entre o Exército e a Câmara de Mafra, as referências ao estado do país só podem ser interpretadas no sentido positivo.

«Como é óbvio, quando se diz que está diferente e se elogia uma comunidade de ter contribuído para essa diferença eu não quero acreditar que se seja suficientemente hipócrita para que se esteja a fazer uma referência de que, estando pior, se agradece a alguém que contribuiu para que a situação estivesse pior», argumentou.

Após apontar a «incompatibilidade» referida pelo presidente da Câmara de Lisboa para, num primeiro momento, não se candidatar a secretário-geral do PS, e os elogios e «recuo» face ao Syriza na Grécia, o ministro notou que «as caras do doutor António Costa variam consoante o sentido de oportunidade, julgando que é mais ou menos popular ao fazê-lo».

«São várias caras, é uma maneira de estar na política que eu tenho a certeza que os portugueses no momento certo censurarão, porque já não se deixam iludir com este tipo de situações e este tipo de atitudes», rematou Aguiar-Branco.


Em relação ao relatório da Comissão Europeia que aponta a necessidade de uma vigilância dos desequilíbrios do país, o ministro da Defesa salientou que Portugal deve ser «equiparado» com outros países que constam no relatório, como França e Itália.

«Portugal continua numa linha descendente no que diz respeito à taxa de desemprego, [e] continua numa linha crescente no que diz respeito à taxa de crescimento económico», frisou José Pedro Aguiar-Branco, acrescentando que o país «está efetivamente em condições melhores» do que no passado.

O ministro salientou que, perante as atuais condições favoráveis dos mercados, «significa que os sacrifícios que os portugueses tiveram que passar estes três anos fazem sentido na medida em que agora estão a poder beneficiar de sustentabilidade das contas públicas».

Para o governante, será preciso «consolidar» nos próximos quatro anos as reformas necessárias para que o país encontre «uma linha de crescimento e um prudente otimismo».