O líder parlamentar do PSD questionou o primeiro-ministro sobre a operação de créditos fiscais na Associação Mutualista Montepio, falando em “contas marteladas”, com António Costa a questionar o “profundo interesse” de Fernando Negrão no banco Montepio.

Já no final da sua intervenção no debate quinzenal, o líder parlamentar do PSD disse querer voltar ao tema do Montepio, mas desta vez para se referir ao caso da Associação Mutualista e à operação de créditos fiscais de que foi alvo.

“Veio a público que era uma IPSS e agora quer deixar de ser, veio a público que não pagava impostos e agora quer pagar, veio a público que tinha capitais próprios negativos e que, de um momento para o outro, ficou com capitais próprios positivos. o que isto parece é um milagre da multiplicação de pães”, afirmou Negrão, desafiando o primeiro-ministro a dar explicações.

O líder parlamentar salientou que “este filme não é novo” e já foi visto em “vários bancos privados”.

“Contas marteladas são buracos financeiros no futuro, explique bem senhor primeiro-ministro esta situação: é muito mais grave do que a que aconteceu com outros bancos, porque se acontecer e for para a frente a cumplicidade não é dos privados, é do Estado."

“Um dia, com certeza haveremos de descobrir o seu profundo interesse relativamente à situação do Montepio”, respondeu António Costa, o que gerou palmas do PS e indignação do PSD.

O primeiro-ministro remeteu qualquer esclarecimento sobre as contas do banco Montepio para o governador do Banco de Portugal, considerando que “seria impróprio” substituir-se a Carlos Costa.

“Estou certo que o governador do Banco de Portugal terá o maior gosto em esclarecer se as contas são ou não marteladas."

Na réplica, Negrão salientou que a sua pergunta não era relativa ao banco mas à associação mutualista, que está sob a tutela do Governo.

“Interesses particulares tem o Governo socialista, o meu único interesse é o interesse público (…) Não há nenhum interesse a não ser os dos 650 mil associados da Associação Mutualista”, assegurou.

Na resposta, António Costa considerou que, neste caso, não se pode fazer “qualquer comparação com bancos”.

“Não estamos a falar de um banco de uma família, estamos a falar de 600 mil famílias que, com o seu trabalho, merecem ser protegidas e aí faremos tudo para proteger essas famílias”, disse, sem responder às questões sobre a operação de créditos fiscais.