Os candidatos presidenciais Marisa Matias e Henrique Neto concordaram esta terça-feira na necessidade de renegociação da dívida portuguesa, tendo o empresário manifestado receio quanto às soluções económicas do atual Governo, suportado em acordos à esquerda apoiados pela eurodeputada do BE.

No debate de hoje à noite na SIC Notícias, Marisa Matias e Henrique concordaram na maioria dos temas debatidos, sendo a principal divergência relativa ao atual Governo, uma vez que o ex-deputado do PS defendeu que o Presidente da República deveria ter apostado numa solução de Bloco Central e a candidata apoiada pelo BE sempre foi uma defensora do acordo entre os partidos de esquerda.

Ambos defenderam a renegociação da dívida, mas para Henrique Neto seria necessário aumentar o capital de queixa junto da Europa, enquanto para Marisa Matias não é preciso mais capital de queixa, defendendo que não se pode "perder mais tempo" porque "a renegociação da dívida é essencial", cita a Lusa.

Na opinião de candidata apoiada pelo BE a "dívida é insustentável" e é preciso "coragem política", recordando que o próprio FMI já reconheceu que Portugal deveria ter começado por uma renegociação da dívida, mas escusando-se a antecipar aquela que deve ser a atuação do primeiro-ministro, António Costa.

Por seu turno, Henrique Neto defende que Portugal tenha "uma política perante a Europa de reivindicação", mas que deve ter inteligência ao fazê-lo, explanando que a competitividade fiscal e a política económica seriam os dois pontos nos quais atacaria a Europa.

Sobre o atual Governo, liderado pelo socialista António Costa com apoio parlamentar do BE, PCP e PEV, Marisa Matias recordou que sempre defendeu e continua a defender estes acordos de esquerda, mas que Henrique Neto preferia uma solução de bloco central, questionando esta decisão vinda de alguém que se tem apresentado como um candidato antissistema.

O ex-deputado do PS justificou esta posição dizendo ter receio que "a solução encontrada cortasse a sociedade portuguesa a meio".

Henrique Neto disse a Marisa Matias que se daqui a quatro ou cinco anos esta solução de acordos à esquerda tiver sucesso - desfecho que disse desejar - a candidata apoiada pelo BE tem razão, mas, se tiver insucesso, "a esperança transforma-se em desilusão".

O empresário manifestou preocupação em relação ao modelo seguido pelo atual Governo do PS por este poder não ter o sucesso esperado, defendendo que o esforço deveria ser feito na exportação e não no consumo interno, sob o risco de degradar o saldo da balança comercial.

"Se o saldo da balança comercial não se degradou tanto, foi porque as pessoas deixaram de ter dinheiro para comer", respondeu prontamente Marisa Matias, afirmação que teve o acordo do seu opositor.

Para a eurodeputada, há uma "má despesa", associada aos juros ou ao serviço da dívida, às parcerias público-privadas, às negociatas, mas a solução que rompe com esse ciclo de pobreza é assente na melhor despesa, "aquela que possa retribuir dignidade à vida das pessoas", através da reposição de salários e pensões.

"A falar é que as pessoas se entendem. Estou de acordo com tudo o que diz, curiosamente. A despesa como diz, é uma despesa útil", concordou Henrique Neto.