O ministro Pedro Mota Soares afirmou esta quinta-feira que o PS pretende retirar 14 mil milhões de euros à Segurança Social, colocando em causa o sistema, e os socialistas acusaram o executivo de só fazer oposição à oposição.

Esta troca de posições, entre Pedro Mota Soares e a vice-presidente da bancada socialista Sónia Fertuzinhos, teve lugar no período de encerramento do debate de urgência requerido pelo PS sobre o desemprego e a situação laboral em Portugal.

O ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social classificou como "oportuna" a iniciativa de agendar um debate parlamentar sobre emprego, apontou que o desemprego subiu em Portugal sistematicamente entre 2002 e 2013, ultrapassando os 17 por cento, e defendeu que precisamente em 2013 se iniciou um processo de "recuperação" até aos atuais 13,5 por cento.

Apesar desta trajetória de diminuição progressiva, Pedro Mota Soares advertiu que "ainda há muito para fazer" para reduzir o desemprego no país, tendo então destacado a importância da adoção de medidas "para dar proteção específica aos desempregados de longa duração", caso do programa "Reativar".

Depois, o ministro passou ao contra-ataque, sustentando que o atual Governo "tudo fez para garantir a sustentabilidade da Segurança Social", transferindo verbas do Orçamento do Estado, e referiu-se nesse mesmo contexto às propostas do cenário macroeconómico do PS que preveem uma redução progressiva da taxa social única (TSU) de trabalhadores e empregadores na ordem dos quatro pontos percentuais para cada um destes universos.

"O PS ainda não explicou como é possível retirar cerca de 14 mil milhões de euros do sistema, conseguir continuar a pagar as pensões e garantir a sustentabilidade da Segurança Social", disse.


Na resposta, Sónia Fertuzinhos alegou que essa questão colocada por Pedro Mota Soares, assim como todas as outras formuladas pelo PSD, tiveram já hoje resposta por parte do conjunto de economistas que elaborou o cenário macroeconómico para o PS, intitulado "Uma década para Portugal".

Para Sónia Fertuzinhos, o ministro da Segurança Social, "que não consegue desmentir a realidade dos números de um país com aumento de desemprego e aumento da precariedade", ao levantar questões sobre o cenário macroeconómico do PS, "pretende agora colocar-se num papel de oposição à oposição".

"Parece ser um ministro sombra", disse a vice-presidente da bancada do PS, usando a ironia.


Sobre a situação atual do mercado laboral português, Sónia Fertuzinhos advogou que "a maior fratura social foi criada a partir de 2011" em consequência das políticas seguidas pelo atual Governo.

Além disso, de acordo com a deputada do PS, o executivo PSD/CDS "apostou numa via de ajustamento pela desvalorização salarial, o que provocou um aumento significativo do número de trabalhadores pobres".

"Precisamos de defender o trabalho digno em Portugal, mas isso não faz parte do léxico do atual Governo", acusou ainda a dirigente socialista.