A permanência no euro, a saída da União Europeia e o abandono do tratado orçamental dividiram os candidatos às eleições europeias num debate promovido pela Antena 1 em que os representantes do PSD/CDS-PP e do PS a coincidirem em muitos pontos, resume a Lusa.

Num debate a oito que juntou os cabeças de lista da coligação Aliança Portugal, do PS, BE, CDU, Livre, MAS, MPT e PCTP/MRPP, os temas europeus ocuparam mais de uma hora de debate, que abriu com a análise das sondagens divulgadas hoje e que acabaram por ser desvalorizadas por todos.

Os cabeças de lista da coligação PSD/CDS-PP, Paulo Rangel, e do PS, Francisco Assis, assumiram as posições mais convergentes, recusando por exemplo a saída do euro, mas foram também os candidatos que entraram mais em conflito, com o representante da Aliança Portugal a retomar as críticas ao «despesismo» dos socialistas e a acusar o PS de não ter nenhuma «agenda para o crescimento».

Sobre a campanha, Paulo Rangel assegurou não se arrepender de nada que tenha dito e notou que a coligação nunca tentou «encostar ninguém à ideologia nazi», numa referência a declarações do socialista Manuel Alegre, que comparou a expressão do cabeça de lista da Aliança Portugal «vírus socialista» ao discurso nazi.

Na resposta, Francisco Assis contrapôs que foi Paulo Rangel que «insultou o PS», acusando o candidato da Aliança Portugal de agora querer «fazer-se passar por vítima».

Ao longo do debate, o cabeça de lista socialista não deixou de retomar as críticas à política do Governo que «impôs sacrifícios além do que era aceitável», recusando a visão de que «a Europa é culpada de tudo».

«Grande parte dos erros cometidos foram do Governo», sublinhou, apontando como objetivos para o futuro conseguir que se imponha uma interpretação do tratado orçamental «que aponte para o mínimo de constrangimentos orçamentais» e uma política monetária menos restritiva.

Pela CDU, João Ferreira recuperou algumas das bandeiras comunistas, insistindo na necessidade de «preparar a saída do euro» e reiterando que a realização de um referendo é a melhor forma para avaliar «a vontade do povo».

O cabeça de lista da CDU reconheceu, contudo, que os constrangimentos que o país sente estão «muito longe de se resumir ao euro».

Igualmente crítica, a cabeça de lista do BE, Marisa Matias, notou que «não há nenhuma saída fácil» para a situação portuguesa, considerando que «a política de austeridade é o caminho mais rápido para colocar Portugal fora do euro».

Insistindo na necessidade de referendar o tratado orçamental, Marisa Matias reiterou que esse acordo é «uma tentativa de anular a democracia para os próximos anos».

Contra a saída do euro, hipótese que seria uma «tragédia imensa», o cabeça de lista do MPT, Marinho e Pinto, apontou as políticas que antecederam o tratado orçamental como a razão dos problemas atuais e defendeu mais «coesão interna» na União Europeia.

Igualmente contra a saída do euro, o cabeça de lista do partido Livre, Rui Tavares, que nas eleições de 2009 foi eleito pelas listas do BE, surpreendeu no final do debate ao confessar que gostava de estar na mesma lista que Marisa Matias, que considerou ser uma «excelente» deputada e uma grande amiga.

A favor da saída do euro manifestaram-se os cabeças de lista do PCTP/MRPP, Leopoldo Mesquita, e do MAS, Gil Garcia, que coincidiram também nas críticas ao tratado orçamental.

«O tratado orçamental é troika para sempre», disse Leopoldo Mesquita, enquanto Gil Garcia afirmou que se trata de «uma aberração».