Nem IRS, nem IRC, nem IVA. António José Seguro promete não aumentar a carga fiscal se for primeiro-ministro e diz mesmo que se demite caso não tenha outra alternativa. O atual líder do PS deixou várias promessas concretas no debate que travou esta noite na TVI com António Costa. Já o Presidente da Câmara de Lisboa prefere ser mais prudente no discurso, porque as eleições legislativas são só para o ano e muita coisa pode mudar. Só quanto ao IVA da restauração é que os dois estão totalmente de acordo: terá de baixar.

O debate AO MINUTO

«Não aumentarei a carga fiscal, nem surpreenderei os portugueses, como os últimos quatro primeiro-ministros», que justificavam a necessidade de subir os impostos pelas circunstâncias do momento. Promessa de António José Seguro, que foi ainda mais longe, na resposta a Judite Sousa: «Assumirei hoje aqui que me demitirei se não houver outra alternativa [a aumentar impostos]. Temos de honrar a palavra. Temos de trazer isso para a política».

Já António Costa não quis fazer promessas definitivas: «Não me sinto obrigado a fazê-lo neste momento», porque esta é a altura de «apresentar as grandes linhas de programa de Governo, que não será o programa do António Costa ou do António José Seguro». Será, frisou, do PS.

Ainda assim, Costa quis ressalvar que tem uma «ideia» do que pretende nesta matéria, mas apela à cautela, porque há muita coisa que não depende só do país ou da sua vontade. «Devemos ser prudentes neste momento. Se nada de anormal acontecer, as eleições serão daqui a um ano. Devemos ainda aguardar com serenidade, porque há muitas variáveis na vida politica e económica nacional e da Europa». Deu o exemplo do novo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que disse que é preciso fazer uma «leitura inteligente» do Tratado Orçamental ou, noutro plano, as consequências da crise ucraniana.

Num ponto estão os dois de acordo: «Há compromissos que o PS assumiu que faço meus, como a redução do IVA da restauração», disse Costa, depois de Seguro ter voltado a prometer que o imposto irá regressar aos 13% quando - e se - for primeiro-ministro.

Voltando a Costa, continuou cauteloso na abordagem a outros impostos: «Neste momento acho que é imprudente» dizer que é possível baixar. «Todos gostaríamos e eu próprio baixei o IRS e o IMI na cidade de Lisboa. Gostaria de o fazer no país, mas nenhum de nós os dois está em condições de prometer», concluiu.

Em todo o debate, que durou 35 minutos, só houve mais um ponto em que foi mais o que uniu os dois Antónios, do que aquilo que os separou: o candidato às eleições presidenciais de 2016. O nome que ambos elegem é António Guterres.

Seguro elencou três razões: «Querendo, é o socialista que o PS deve apoiar, pela sua enorme sensibilidade social, por ser um homem de diálogo (...) e pelo seu prestígio internacional». Costa, por sua vez, salientou que «se Guterres estiver disponível, será certamente um excelente Presidente. Eu votarei nele».

Nas notas finais, Seguro disse que as prioridades do país devem ser o emprego, a sustentabilidade da Segurança Social, uma «boa» escola pública e SNS e que é preciso responder ao problema da dívida e ter «boas» contas públicas. «Como se resolve? Ponde a economia a crescer». Mas, aí, não disse como.

Já António Costa prometeu coesão social, investimento na cultura, educação e ciência e aproveitou para dizer que o que está em causa «não é uma mera questão interna [do partido] e muito menos uma questão entre pessoas, mas escolha nacional sobre quem está em melhores condições para liderar o PS e para ser uma alternativa do Governo que não se distinga só pelo ritmo e pela dose».

*Com Carmen Fialho, Aline Raimundo, Manuela Micael, Sofia Santana e Verónica Ferreira