“Acha normal que depois da gravidade daquilo que se passou com o BES e com o grupo BES, depois do que os senhores andaram a dizer. Acha normal que o Governo nomeie, por mais cinco anos, alguém que não tem o consenso generalizado desta Assembleia da República?”. À pergunta do líder parlamentar socialista, durante o debate quinzenal desta sexta-feira, o primeiro-ministro respondeu que o PS "tem má memória".
 

Passos Coelho lembrou que o governador Carlos Costa foi escolhido pelo Governo do PS em 2010 e que o PSD não foi consultado sobre essa proposta. "E ainda bem, porque eu não tenho de ser ouvido  [enquanto líder do partido] para aquilo que é a nomeação do Banco de Portugal".

“Não faz sentido perguntar ao PS se acha que o dr. Carlos Costa tem ou não perfil para ser Governador do Banco de Portugal se foi escolhido pelo Governo do PS, não acha?”. Para o PS "não interessa" quem elegeu o governador do Banco de Portugal há cinco anos porque "o exercício de memória para o PS nunca conta".


Lista VIP: "É preciso não ter assunto"


Este foi outro tema trazido à discussão também pela bancada do PS. "Acha normal que tenha sido designada como principal responsável o inquérito que foi feito às chamadas mini listas VIP, uma pessoa que tinha sido colega do secretário de Estado Paulo Núncio até outubro?". Ferro Rodrigues questionou, assim, a parcialidade dessa escolha.

Passos Coelho classificou esse tema como um "não assunto". "É preciso não ter assunto" para voltar a esse tema. "A senhora que conduziu o inquérito foi escolhida pelo inspetor-geral de Finanças, não foi escolhida pelo Governo”, respondeu o chefe de Governo.

Ferro Rodrigues tinha ainda colocado outras duas questões que ficaram sem resposta: "Acha normal que essa lista tenha durado não sei quantos meses? Até onde é que pode ir a responsabilização e a irresponsabilidade?”.


Os temas quentes do debate

O primeiro-ministro disse duas coisas sobre a polémica medida para a sustentabilidade da Segurança Social, que as linhas orientadoras do programa eleitoral da coligação não detalham: dizer que vai haver um corte nos pensionistas é "precipitado", porque a poupança que é preciso fazer tanto pode ser do lado da despesa ou da receita, e que "está fora de questão" que eles a suportem "inteiramente".

Também sobre as bases do programa eleitoral do PSD e CDS-PP, o líder parlamentar do PS acusou Governo de apresentar garantias que são "um flop". Passos Coelho respondeu que não tem medo da alternativa que o PS diz ter. Repetiu cinco vezes: "Não tenho medo nenhum".  

Já sobre a Grécia, outro tema na ordem do dia, o chefe de Governo criticou o rumo seguido por Atenas e disse que os gregos não podem querer uma  " união económica à la carte"