Assunção Cristas usou o debate quinzenal para questionar o primeiro-ministro sobre a eutanásia. Na sua intervenção, a líder do CDS-PP quis saber se o Serviço Nacional de Saúde deve ou não canalizar os seus recursos para a despenalização da eutanásia.

“Na sua grelha de prioridades, o SNS deve canalizar os seus recursos para instituir a eutanásia ou não?”, questiona Assunção Cristas.

O primeiro-ministro optou por não responder e tentou rematar a questão, garantindo que "o Governo cumprirá todas as leis que forem aprovadas pela Assembleia da República.”

A líder do CDS decide então provocar e questiona António Costa sobre se é a favor ou não da eutanásia, dizendo que o primeiro ministro não pode "deixar as pessoas nessa ignorância".

“Sei que odeia a ideia de eu ser primeiro-ministro, mas estou aqui como primeiro-ministro e não como líder do PS, ficaria muito mal ao Governo intrometer-se num debate que está a decorrer no órgão de soberania próprio que é a AR, sendo que a AR dispensa a minha opinião pessoal”, responde Costa.

António Costa respondeu, uma e outra vez, que não cabe ao primeiro-ministro pronunciar-se: “Ficar-me-ia muito mal que me intrometesse num debate que está em curso.”

Depois da réplica e da insistência da líder e deputada centrista, o primeiro-ministro e secretário-geral do PS não foi além daquela resposta, com variantes de linguagem.

E Assunção Cristas usou um tom irónico ao dizer que, comparando com o investimento nos cuidados paliativos, “certamente que instituir a eutanásia fica mais barato”.

Da bancada do PS e do BE ouviram protestos, como de Mariana Mortágua e José Manuel Pureza, que gritou “vergonha”.

Marcelo ouviu bastonários dos médicos 

O Presidente da República evitou pronunciar-se sobre a audiência que concedeu hoje a vários representantes da Ordem dos Médicos a propósito da temática da eutanásia, mas sublinhou que receberá e ouvirá todos aqueles que peçam uma audiência.

“Eu recebo quem me pede para falar comigo. Recebi os subscritores das iniciativas no parlamento. Ouvi as suas razões ao longo do tempo, não foi apenas agora. Estou a ouvir outras entidades da sociedade civil, que me pedem audiência. E, portanto, sobre isso não me pronuncio, cabe-lhes a eles explicar as suas posições”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas.

“Eu a ter-me de pronunciar, só me pronunciarei na altura devida, que não é esta”, reiterou.

À saída do encontro com o Presidente, o atual bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, e cinco antigos detentores do cargo afirmaram que manifestaram a Marcelo Rebelo de Sousa a sua reprovação à legalização da eutanásia, considerando que a sociedade civil não está preparada para se pronunciar sobre a matéria.