O BE acusou esta sexta-feira o Governo de «semear artificialmente capital de queixa» dos funcionários públicos contra o Tribunal Constitucional para se servir desses trabalhadores como «carne de canhão na guerra» contra os juízes do Palácio Ratton.

«O seu Governo e o senhor primeiro-ministro, juntamente com alguns dirigentes do PSD andam a semear artificialmente capital de queixa dos trabalhadores da administração pública contra o Tribunal Constitucional para se servirem dos trabalhadores da administração pública com carne de canhão na guerra que estão a travar contra o TC, contra a Constituição e dos direitos consagrados na Constituição», acusou o coordenador do BE João Semedo, no debate quinzenal com o primeiro-ministro no Parlamento.

Retomando um tema que atravessou todo o debate, João Semedo mostrou uma carta do presidente do centro hospital do Algarve aos trabalhadores, a anunciar que os vencimentos de junho ainda serão pagos com os cortes até agora aplicados, por falta de fundos disponíveis.

Defendendo que, para situações excecionais, o Governo deveria tomar medidas excecionais, o coordenador do BE condenou as desigualdades que estão a ser geradas com a aplicação do acórdão do Tribunal Constitucional relativo ao Orçamento do Estado para 2014, com alguns funcionários públicos a receberem já o vencimento por inteiro em junho e outros não.

Na resposta, o primeiro-ministro sublinhou que não se trata de uma questão de «boa ou má vontade» do Governo, tendo apenas que ver com a impossibilidade de alguns serviços em garantir atempadamente a alteração no processamento dos vencimentos de junho.

Aliás, acrescentou depois já em resposta a uma pergunta idêntica colocada pela deputada Heloísa Apolónia, se o Governo tivesse optado por reiniciar todo o processo nesses casos, o vencimento poderiam não chegar «a tempo e horas».

Outro dos assuntos levados ao debate pelo coordenador do BE foi a situação do Hospital de São João, no Porto, onde na quinta-feira se demitiram todos os dirigentes intermédios.

Classificando como «gravíssima» a situação daquela unidade hospital, João Semedo lembrou os elogios que o primeiro-ministro tem feito aos profissionais daquele hospital, desafiando Passos Coelho a ir ao São João para repetir o que tem dito.

«Se o senhor primeiro-ministro for ao hospital garanto que não sai de lá, vai ficar lá internado porque os profissionais pensaram que o seu estado de saúde mental não é o mais adequado às funções de um primeiro-ministro», gracejou João Semedo.

Passos Coelho respondeu imediatamente, prometendo não fazer «nenhuma graçola sobre o estado mental» do coordenador do BE, e reiterando os elogios ao «trabalho notável» que tem sido desenvolvido pelos profissionais do São Joao, hospital que tem merecido «todas as qualificações de bom prestador e de excelência».

O primeiro-ministro reconheceu ainda que as queixa que têm vindo a ser apresentadas pelos profissionais do São João «são reais», mas não se podem resolver de «uma penada problemas estruturais que têm anos».

Porém, continuou, apesar das razões apontadas por quem trabalha no São João serem «reais», «a solução não será atingida com a demissão em bloco de bons profissionais».