Não foi da primeira vez que tomou a palavra. Foi só à segunda, ladeado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, que o primeiro-ministro interrompeu o debate quinzenal desta sexta-feira para se congratular com a nomeação de António Guterres como secretário-geral da ONU. "Um compatriota", disse sorrindo, levando os deputados a aplaudir, com os socialistas a colocarem-se, gradualmente, de pé. 

António Costa fê-lo antes de responder a Passos Coelho, que lhe tinha feito uma pergunta carregada de ironia sobre o crescimento do país. E ao líder do PSD e ex-primeiro-ministro teceu um elogio especial sobre a campanha de Guterres na ONU.

Agradeceu a "diligência" de Passos Coelho, que acenou com a cabeça, já sentado na sua bancada à espera da resposta à pergunta que colocou. 

O primeiro-ministro enalteceu a unidade nacional em torno do apoio ao antigo primeiro-ministro socialista na corrida à ONU, sublinhou que "todas as forças políticas" colaboraram, mas fez questão de sublinhar especialmente o papel do atual líder da oposição. 

Agradecimentos sérios no meio de uma troca de palavras irónica em dia de entrega do Orçamento do Estado entre os dois políticos.

"Não se enerve que não é caso para isso. Ainda tem tempo para tentar uma tréplica se necessário", disse por exemplo Costa a Passos depois de este ter insistido em explicações para a travagem da economia. Perguntas que colocou "sem fúrias, pelo contrário", disse, em resposta a Heloísa Apolónia.

A deputada d'Os Verdes tinha acusado a direita de estar "furiosa", "absolutamente furiosa" pela estratégia da esquerda de reposição de rendimentos estar, disse, a dar certo.