O primeiro-ministro, António Costa, acusou hoje o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, de defender o máximo de exames no ensino com a ideia de que, "quanto mais chumbos, melhor se apura a raça dos eleitos".

Durante o debate quinzenal, no parlamento, a propósito do Programa Nacional de Reformas, Passos Coelho defendeu que o Governo do PS está a seguir "a estratégia errada", e apontou como exemplo a política de educação: "Acabar com os exames no ensino piora a qualidade do ensino".

Na resposta, o primeiro-ministro declarou: "A diferença de política e de estratégia está aqui. Para nós, a prioridade é promover o sucesso do percurso educativo das crianças. A sua estratégia é só uma, é a crença de que, quanto mais exames, mais chumbos existem, e que, quanto mais chumbos, melhor se apura a raça dos eleitos".

Nesta altura do debate, o presidente do PSD já não dispunha de tempo para intervir novamente.

Antes, Passos Coelho desafiou o primeiro-ministro a aproveitar este debate para responder às perguntas que o PSD lhe dirigiu sobre o sistema financeiro. António Costa, contudo, não falou no assunto.

O presidente do PSD trouxe também a este debate o tema da demissão do presidente da administração do grupo Águas de Portugal, Afonso Lobato Faria, reclamando que a reforma feita neste setor pelo anterior Governo foi "elogiada pela Comissão Europeia". O primeiro-ministro nada disse a este respeito.

Segundo o ex-primeiro-ministro, a atuação do Governo do PS não contribui para os objetivos de captação de investimento e dinamização da economia, pelo contrário, está "a assustar os investidores", desde o início.

"A primeira coisa que fez foi anunciar a sua firme disposição para reverter várias das reformas estruturais que já tinham sido feitas antes. E com isso evidentemente ameaçando voltar a ter a maioria do capital da TAP, andar para trás nas concessões, acabar com o rigor na educação, com o fim dos exames", criticou.

António Costa, por sua vez, sustentou que a ação do anterior Governo PSD/CDS-PP "começou com um erro de análise", ao assumir o défice e a dívida como causas em vez de consequências, e "prosseguiu depois com um erro de terapia", ao optar por "um choque de empobrecimento, destruição de direitos e privatização de setores estratégicos da economia".

"Quanto à estratégia, estamos entendidos, porque nos lembramos o que foi a sua estratégia. Foi cortar salários, cortar pensões", prosseguiu o primeiro-ministro.

Face aos protestos da bancada do PSD, em defesa de Passos Coelho, António Costa aproveitou para "felicitá-lo pelo sucesso que tem na sua bancada", considerando que isso "só pode auspiciar um bom Congresso no próximo fim de semana".