O líder parlamentar do PSD confrontou o primeiro-ministro, durante o debate quinzenal, com o diálogo entre o secretário de Estado Adjunto, Mourinho Félix, e Jeroen Dijsselbloem, na reunião do Eurogrupo da passada sexta-feira.

Para Luís Montenegro, tratou-se de um “momento ridículo” e de uma “encenação”, que “deixou a nu a posição do Governo”.

“Em Portugal, fala como um leão, a pedir a demissão e a cabeça de Dijsselbloem, com o conforto do Parlamento e de outros órgãos de soberania, mas, nas reuniões europeias, essas entradas de leão são substituídas por saídas de ratinho.”

O social-democrata quis então saber por que não foi o ministro das Finanças a esta reunião e, sobretudo, por que Mourinho Félix não pediu ali, cara a cara, a demissão do presidente do Eurogrupo.

Na resposta, António Costa não esclareceu a ausência de Mário Centeno, mas defendeu que o secretário de Estado que o representou “transmitiu com grande firmeza” a opinião do Governo, lembrando outros diálogos na altura do anterior Executivo.

“O secretário de Estado transmitiu com uma grande firmeza e pessoalmente o entendimento que o que Dijsselbloem tinha dito era inaceitável e que devia pedir desculpas. Infelizmente, estamos recordados quando os representantes do Governo português se ajoelhavam para falar com os colegas do Eurogrupo.”

Na altura em que Costa falou em "grande firmeza", ouviram-se muitos risos nas bancadas da oposição. 

O primeiro-ministro destacou ainda o "saudável consenso nacional" sobre as declarações de Dijsselbloem e manifestou a sua "surpresa" por alguns "incomodados" com esse consenso.

"Foram declarações racistas e sexistas, que são intoleráveis e não honram a União Europeia, e quem as profere não deve exercer funções como presidente do Eurogrupo. O Governo diz cá isto e diz lá fora." 

António Costa voltou a defender ainda que o próximo presidente do Eurogrupo terá de ser "um fator de unidade e de reforço da estabilidade da zona euro", ressalvando que, na entrevista ao El País, apenas respondeu que o ministro da Economia espanhol, Luís De Guindos, tem esse perfil.