Assunção Cristas, líder da bancada parlamentar do CDS-PP, exigiu respostas diretas ao Governo sobre o possível aumento de impostos. E acusou de "incompetência" a governação socialista no que respeita ao tratamento dos dados do défice de 2015.

No início da sua intervenção no debate quinzenal desta quinta-feira, Assunção Cristas pediu ao Governo que distribua o Programa de Estabilidade pelo deputados, uma vez que "tudo corre tão bem".

Folgo em saber que tudo corre tão bem, só tenho pena que o PS tenha tanto medo de colocar a votos aquilo que aparentemente corre tão bem e que os seus parceiros digam que não querem criar problemas e que até discordam dos documentos que aparentemente aprovam e com os quais tanto se identificam", disse a líder centrista, depois do CDS-PP ter mostrado vontade de levar o Programa de Estabilidade e o Plano Nacional de Reformas a votos no Parlamento

António Costa garantiu que o documento do Programa de Estabilidade "não é secreto" e está disponível para "quem o solicitou".

O documento não é secreto. Foi entregue a quem o solicitou, está aqui para distribuição, não há dramas e a única coisa que faz é a fazer a descriminação dos valores agregados e que constam do PE. Sem mistério nenhum, pode estar tranquila".

A deputada centrista voltou à questão da possibilidade de aumento nos impostos e o Primeiro-ministro voltou a garantir que não está prevista mais austeridade. 

Aquilo que temos reafirmado são as medidas fiscais que constam no programa do Governo: não haverá aumento do IRS nem do IRC. Não haverá aumento do IVA nem reorganização dos produtos do IVA para além daquele que nos tínhamos comprometido, e que tanta oposição mereceu por parte do CDS, que é a redução do IVA para a restauração. Sim, apesar da oposição do CDS, vamos por em prática dia 1 de julho”, disse António Costa.

Assunção Crista referiu PE do Governo e acusa António Costa de não conhecer o documento e se ter recusado a esclarecer sobre o aumento previsto para o IMI, considerando o “património imobiliário detido”, e sobre o imposto sucessório. O Primeiro-ministro diz que a deputada centrista está a falar de medidas “hipotéticas” que o Governo não adotou.

Será preciso “muita incompetência” do Governo para evitar saída do procedimento de défice excessivo

A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, disse que apenas por "muita incompetência" do Governo Portugal não ficará fora do procedimento de défice excessivo, depois do défice de 2015 "sem o efeito Banif" ter ficado em 3,03%.

Devo dizer que 3,03% estaremos a falar de 60 milhões de euros, se não ficarmos fora do procedimento de défice excessivo por isso é muita incompetência do seu Governo", afirmou Assunção Cristas, durante a intervenção da bancada do CDS-PP no debate quinzenal no parlamento com o primeiro-ministro, António Costa.

António Costa, que tinha acabado de confirmar o número de 3,03% de défice em 2015, avançado esta semana pelo ministro das Finanças, não respondeu às críticas de Assunção Cristas, falando apenas da questão do desemprego, igualmente abordada pela líder do CDS-PP.