O líder parlamentar socialista felicitou esta quarta-feira a nova atuação política do CDS-PP e comparou o PSD ao "Tollan", navio que encalhou no Tejo, enquanto o primeiro-ministro disse esperar uma mudança dos sociais-democratas após o seu congresso.

Referências feitas por Carlos César e António Costa à atuação política do PSD no encerramento do debate quinzenal na Assembleia da República, quando a bancada social-democrata já não dispunha de tempo para responder.

O presidente do Grupo Parlamentar do PS, tal como fizera no debate do Orçamento do Estado para 2016, voltou a referir-se às forças da anterior maioria (PSD/CDS-PP) como "a caranguejola".

"Os deputados do PSD estão cada vez mais transparentes, mas apenas no pior sentido: É como se não estivessem cá. Já só falo do PSD porque a ‘caranguejola' teve vida curta. O atrelado livrou-se do rebocador, ganhou motor e passou-lhe à frente, parabéns, CDS", disse Carlos César.

Depois, num improviso, o presidente do PS comparou a situação do atual PSD ao navio britânico Tollan, que em 1980 encalhou e afundou-se no rio Tejo.

"O Tollan encalhou mas outro barco prosseguiu", disse, perante alguns protestos na bancada social-democrata.

Na sua intervenção, o presidente do Grupo Parlamentar do PS desafiou os partidos da oposição a entrarem num consenso em torno do Programa Nacional de Reformas, documento cujo apoio "deverá ultrapassar a fronteira da maioria" que apoia o atual executivo.

"Esperávamos, sinceramente, que o PSD desse um sinal da sua conversão à política construtiva, mas não aproveitaram ainda esta semana para se despedir do ‘bota-abaixo', do passado que o persegue, do ciúme da atual governação, do discurso sobre o nada e para renovarem a sua atitude, parecendo querer dizer que partido velho não aprende outras linguagens", declarou o líder da bancada socialista, numa nova referência crítica ao PSD.

Após a intervenção de Carlos César, António Costa disse estar pessoalmente "otimista" e afirmou esperar que, na sequência do Congresso Nacional do PSD, entre sexta-feira e domingo, em Espinho, haja uma mudança na linha de atuação por parte dos sociais-democratas.

"Até tenho esperança, porque sou muito otimista, que até o partido que se tem caraterizado pela omissão na contribuição para o debate no presente, não desista de se apresentar aqui [no parlamento] já para a semana, depois de um congresso que certamente gerará uma forte dinâmica renovadora, não a olhar para o futuro, mas, pelo menos, sentado no tempo presente. Já era um enorme progresso que teríamos nestes debates", declarou o primeiro-ministro.