Nem Passos nem Costa dizem se vão demitir-se caso percam as eleições legislativas do dia 4 de outubro. Sobre acordos de coligação ou compromissos pós-eleitorais, o líder do PS rejeitou esse cenário com o PSD se vier a formar Governo. 

"Os políticos têm de responder ao mandato eleitoral que recebem. [O que se pretende] é que substitua este governo para substituir as suas políticas. Não faz sentido se quero mudar de política [ter compromissos com o PSD]"


António Costa diz que está na corrida para "ganhar". Daí que o seu futuro no cargo de secretário-geral do PS é visto dessa forma e não perante a possibilidade de uma derrota e uma saída. 

"Fizemos trabalho de casa, programa com caminhos escritos, contas certas, ambicionamos ganhar eleições com maioria absoluta com estabilidade para o país, com diálogo e compromissos importantes", afirmou. 

Já o líder social-democrata, Pedro Passos Coelho, defendeu que, em primeiro lugar, deve ser respeitada a vontade dos portugueses. 
 

"Não faço nenhuma especulação sobre o dia a seguir às eleições. A responsabilidade de todos os políticos é respeitar a vontade do eleitorado e, em segundo lugar, não colocar interesses dos seus partidos à frente do país. A minha vontade era a de que os portugueses manifestassem resultado inequivocamente"

O mesmo ponto de partida sobre uma eventual demissão da liderança caso venha aí uma derrota eleitoral: Passos Coelho rejeita "especulações" e diz que a sua "obrigação" é esclarecer o povo para que vote "inequivocamente em quem desejar". 

A penúltima pergunta do debate foi sobre as presidenciais, que já estão na agenda mediática, com várias candidaturas já anunciadas e outras na manga. 

Costa recusa que ter, nesta altura, dois candidatos socialistas a Belém (Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém) não divide, mas "enriquece". 

Passos Coelho, por sua vez, diz que mantém o perfil que traçou há alguns meses sobre o próximo candidato presidencial do PSD. Os nomes de Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa têm sido os mais falados, mas era ao ex-autarca do Porto que o líder do PSD se referia na altura. "Foi a moção que propus e que foi aprovada e é por ela que nos guiaremos", diz agora. 
 

Última pergunta: há algo de que se arrependam de ter feito?

"Que me arrependa propriamente não há nada que possa dizer que fazia inteiramente diferente. Faria muitas coisas de outra maneira. Ninguém pode dizer que repetiria a governação que fez. No essencial, as decisões que tomei foram difíceis mas foram necessárias e creio que os portugueses perceberam", respondeu Passos Coelho.

"Não, estou de consciência tranquila com o que fiz, disse e o que faço, e em virar esta página. O que conta mesmo é a angústia com que as pessoas que estão lá fora... Quero devolver ânimo e confiança", disse por sua vez António Costa. 

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