O debate parlamentar quinzenal e o europeu com o primeiro-ministro, na quarta-feira, deverão ter como grande protagonista o novo presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, eleito segunda-feira pelos seus pares dos outros 18 países membros da moeda única.

António Costa, recém-chegado de uma cimeira com Marrocos, vai dispor de dez minutos de intervenção inicial sobre "coesão social e redução das desigualdades", a partir das 15:00. A discussão prolonga-se por mais de hora e meia, antes de mais quase outra hora dedicada ao debate preparatório do próximo Conselho Europeu (14 e 15 de dezembro).

Entretanto, o Governo socialista volta esta terça-feira a reunir-se com os parceiros sociais, estando a definição do salário mínimo nacional em cima da mesa, assunto com provável abordagem por parte do primeiro-ministro. O executivo prevê o aumento de 557 para 580 euros, como acordado com o BE, apesar das reclamações do PCP, que exige 600 euros.

A oposição, PSD e CDS-PP, como nas reações à escolha do ministro das Finanças português para suceder ao holandês Jeroen Dijsselbloem, aproveitará para vincar as contradições entre a atitude pró-europeia dos socialistas e a visão crítica das instituições comunitárias e suas regras dos partidos com os quais o PS tem posições conjuntas para a viabilização do executivo (BE, PCP e "Os Verdes").

Ante a hipótese de futuro condicionamento de Centeno pelo cargo internacional, Costa defendeu que Portugal tem vindo a ser reconhecido, num ambiente de recuperação económica e de "virar de página da austeridade", por ter conseguido devolver direitos e rendimentos e manter uma trajetória controlada das contas públicas - numa espécie de via alternativa bem-sucedida.

Bloquistas, comunistas e ecologistas já garantiram que os compromissos assumidos, no contexto das eleições legislativas de 2015, são para levar até ao fim, ou seja, até às eleições de 2019, mas sublinharam as suas condenações às imposições de Bruxelas, assumindo tratar-se de uma divergência clara e assumida face aos socialistas.

No período seguinte de debate, sobre questões europeias, vai estar em causa a próxima reunião dos 27 chefes de Estado ou de Governo, cuja agenda contempla o estado das negociações para a saída do Reino Unido ("Brexit") da União Europeia, a Cooperação Estruturada Permanente de Defesa e a União Bancária e União Económica e Monetária, entre outros.