O secretário-geral do PCP considerou este domingo a recomendação de voto de PSD e CDS-PP no candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa como uma das "atitudes revanchistas" daqueles partidos entre os "projetos que têm" para "recuperarem o que perderam".

Comunicando as conclusões da reunião do Comité Central (CC) comunista, Jerónimo de Sousa destacou a candidatura apoiada pelo PCP, de Edgar Silva, como a que "inquestionavelmente" melhor representa o "projeto patriótico e de esquerda que tem na Constituição e valores de Abril a referência para assegurar um país mais desenvolvido e soberano".

"O CC sublinha que a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa se insere nos projetos que PSD e CDS têm para, a partir daquele órgão de soberania, procurar recuperar o que em 4 de outubro (eleições legislativas) perderam."


Jerónimo de Sousa falou ainda de eventuais discordâncias do partido face a medidas do Governo socialista, assegurando que isso não irá colocar em risco a solução governativa encontrada através dos entendimentos à esquerda parlamentar.

Inquirido sobre uma futura confrontação com as imposições de metas por parte de Bruxelas, Jerónimo de Sousa, após reunião do Comité Central do PCP, em Lisboa, reiterou a confiança numa solução para a eliminação da sobretaxa do IRS, apesar das diferenças de ritmo preconizadas pelos dois partidos, embora, quanto à reposição de salários na função pública, tenha frisado que se trata de uma questão "sagrada", "de princípio".

"Nós conseguimos o máximo da convergência, que foi o máximo do compromisso, que assumimos com o PS, com a consciência de diferenças e até de divergências. Isto significará que, possivelmente, quando o PS avançar com medidas com as quais temos razões de fundo para discordar, discordaremos", disse o secretário-geral comunista, referindo-se ao texto "posição conjunta", que viabilizou o XXI Governo Constitucional, liderado pelo homólogo do PS, António Costa.


Para o líder do PCP, tal não vai pôr "em causa a solução governativa encontrada, mas será um exercício natural, tendo em conta a afirmação que os dois partidos fizeram dessas diferenças e divergências, onde ninguém exigiu a ninguém que deixasse de ser o que era".

"Da parte do PCP, não regatearemos um voto que seja para aquilo que for bom para o nosso povo e o nosso país. Naturalmente, assumiremos uma posição contrária se entendermos que isso prejudica esta perspetiva dos interesses do país, dos trabalhadores e do povo", vincou.

Jerónimo de Sousa anunciou ainda que o Comité Central do PCP marcou o próximo congresso do partido para os dias 2, 3 e 4 de dezembro de 2016.

O local do evento, que se realiza ordinariamente de quatro em quatro anos, ainda não foi definido, segundo o PCP.