Os partidos com assento na comissão parlamentar de inquérito ao Banif querem aproveitar a vinda a Portugal na próxima semana de Danièle Nouy, do Banco Central Europeu (BCE), para ouvir a responsável no Parlamento.

PSD e CDS-PP apresentaram esta quarta-feira requerimentos pedindo ao presidente da comissão de inquérito para que este tome a iniciativa de diligenciar a presença na mesma de Danièle Nouy, presidente do Conselho de Supervisão do BCE, ligada a trocas de correspondência por ‘email’ que já foram alvo de debate na comissão.

Várias personalidades ligadas à banca nacional e europeia - onde se inclui Danièle Nouy - e alguns membros do Governo vão debater o futuro do setor bancário na próxima terça-feira, em Lisboa, numa conferência promovida pela Associação Portuguesa de Bancos (APB) e pela TVI, que junta os pesos pesados da banca no Ritz, em Lisboa.

"Considerando que a senhora Daniéle Nouy teve uma intervenção relevante no processo de resolução do Banif", sustenta o CDS-PP no seu texto, a responsável deve ser ouvida no Parlamento.

O PSD advoga, por seu turno, que "à hora que for conveniente" está disponível para ouvir a presidente do Conselho de Supervisão do BCE, e esse foi o pedido que o presidente da comissão de inquérito, o deputado do PCP António Filipe, fez a todos os partidos e deputados: o de estarem todos disponíveis a "qualquer hora" para uma eventual audição de Danièle Nouy.

Uma missiva de Danièle Nouy enviada no sábado, 19 de dezembro, tem motivado as atenções dos parlamentares: neste ‘email’, a responsável diz ter recebido chamadas do ministro das Finanças, Mário Centeno, e do vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, pedindo para o BCE "desbloquear a oferta do Santander [pelo Banif] junto da Comissão Europeia".

No início dos trabalhos desta quarta-feira, onde é ouvido o presidente do Santander Totta, António Filipe sublinhou que ainda não recebeu "qualquer resposta" do vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, sobre uma possível audição por videoconferência na próxima semana.

O presidente da comissão indicou ainda que o antigo ministro das Finanças Vítor Gaspar se prontificou a responder por escrito às várias questões dos partidos até ao começo da próxima semana.