O BE, através de um requerimento, pediu esta quarta-feira ao Governo para ver os dados que o executivo da maioria PSD/CDS-PP enviou ao Fundo Monetário Internacional (FMI), considerando tratar-se de «mais uma trapalhada» para «esconder» a «quebra acentuada dos salários».

«É mais uma trapalhada do Governo, mas que não é inocente. O Governo não se enganou, não errou. Entregou dados parciais que induzem em erro sobre a evolução do trabalho em Portugal», afirmou o coordenador bloquista João Semedo.

À margem de uma ação de campanha para as autárquicas de 29 de setembro, o candidato do BE à Câmara Municipal de Lisboa salientou que se está a verificar em Portugal «uma quebra muito acentuada nos salários» e que «o Governo quis esconder isso para continuar a insistir na política de redução dos salários", criticando a "tese de que os portugueses vivem acima das suas possibilidades».

O «Jornal de Negócios» noticiou esta quarta-feira que o FMI publicou gráficos para retratar a evolução dos salários em Portugal e defender a importância de mais cortes no setor privado que têm por base dados deturpados, precisamente o que os bloquistas querem analisar através do pedido efetuado à ministra das Finanças e aoministro do Trabalho, Segurança Social e Emprego.

«Não nos parece natural que um Governo, que tem ao seu dispor toda a informação estatística para prestar informações corretas, dê uma informação que não só é parcial como desenquadrada da realidade», disse, reiterando que já foram pedidos ao executivo de Passos Coelho «todos os elementos enviados ao FMI no decurso do trabalho que estava a ser realizado».

Ao ser conhecida a promulgação por parte do Presidente da República do diploma que estipula o aumento do horário de trabalho no Estado de 35 para 40 horas semanais, Semedo prometeu que o BE irá recorrer para o Tribunal Constitucional (TC).

«Procuraremos junto de deputados de outros grupos parlamentares, do PS e do PCP, e faremos essa diligência em conjunto, se houver condições, sempre com aqueles que estiverem disponíveis sejam comunistas sejam socialistas».

O líder parlamentar socialista, Carlos Zorrinho, afirmara antes que «o PS respeita a decisão do Presidente da República, mas discorda profundamente do facto de a lei não ter sido enviada para fiscalização preventiva do TC», adiantando que irá suscitar a sua apreciação pelos juízes do Palácio Raton.

«Não é legítimo aumentar o horário de trabalho e manter a remuneração. Há aqui uma violação do princípio da confiança. Consideramos que esta lei tem elementos que violam a Constituição e, portanto, iremos recorrer ao Tribunal Constitucional», afirmou o deputado do BE, segundo a Lusa.