O ex-ministro das Finanças Bagão Félix disse hoje não ser "muito favorável" à ideia de um "Bloco Central" em Portugal porque aquela constituição de Governo "anula quase" as escolhas e "fortalece os pequenos partidos".

Eu, pessoalmente, acho que os eleitores portugueses devem ter o mais possível clareza nas escolhas. O Bloco Central tem esse problema, é que o Bloco Central anula quase as escolhas e fortalece os pequenos partidos fora do Bloco Central. Eu prefiro uma liderança em que haja a possibilidade não só de alternativa como de alternância e não sou muito favorável à ideia de Bloco Central enquanto votante"

À margem de uma palestra sobre liderança e ética, na Universidade do Minho em Guimarães, o também ex-ministro do Trabalho, foi questionado sobre a aproximação do atual líder do PSD, Rui Rio, ao primeiro-ministro e líder do PS, António Costa. Acha que é estratégia.

Eu creio que a ideia dele é afastar de algum modo os partidos à esquerda do PS da área do poder, democraticamente falando, para isso há várias vias, ele podia ter escolhido uma outra".

"Política não é escrutinada pelos bons exemplos, é pelos maus"

Bagão Félix, que se assumiu apartidário e confessando-se apenas benfiquista, falou ainda da necessidade de ética na política. Defendeu, a esse propósito, que não seria positivo que a legislação regulasse "exigências de natureza ética".

"Em primeiro lugar é bom que a lei, o direito positivo esteja encorpado de mais exigências de natureza ética, é muito positivo. Em segundo lugar tem um ponto que não é negativo, mas que às vezes é preocupante, é que há pessoas que precisam que regras essenciais do ponto de vista comportamental e ético estejam na lei para as cumprir", referiu, citado pela Lusa,

Questionado sobre que tipo de regras falava, o ex-ministro exemplificou com "conflitos de interesses, incompatibilidades de cargos. “Se estiverem na lei, melhor, mas em alguns casos não era preciso que estivessem na lei".

Quando confrontado sobre se também se referia a casos de inverdades curriculares, o economista não quis falar de casos concretos.

Eu não quero estar a falar em casos concretos, mas falei da única autoridade que acho que é importante, que é a autoridade do exemplo, quando se mente, quando se forja uma coisa que não corresponde à realidade, quando se alteram determinados tipos de pressupostos para uma tomada de posição, não se está a dar o exemplo".

Acrescentou, ainda, que a política "é muito escrutinada e, normalmente, não é pelos bons exemplos, é pelos maus, que são mais contagiosos do que contagiantes e isso implica que, em geral, a ideia que as pessoas têm da classe política é que é toda igual, é toda má, isso não é verdade".

Quanto aos seus gostos pessoais, além do Benfica, Bagão Félix reafirmou a paixão pela botânica, maior do que pela política. "Eu gosto mais de botânica, eu dou-me muito bem com as árvores, com as plantas, temos uma forma de comunicação muito silenciosa, mas muito desinteressada. Com a política já sai. Eu fui à política, estive em Governos, mas não sou político".