O ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado renovou esta quinta-feira, em Bruxelas, a disponibilidade de Portugal para vir a receber «um pequeno grupo» de prisioneiros e ajudar os Estados Unidos a fechar a prisão de Guantánamo.

Portugal «muito popular» em Guantánamo

«Nós podemos receber um pequeno grupo» de reclusos, disse Luís Amado no final de uma reunião dos ministros dos Negócio Estrangeiros da Aliança Atlântica, noticia a Lusa.

O responsável português voltou a repetir que «é necessário» ter o «enquadramento da União Europeia» antes de se avançar neste projecto, pois «o problema, sendo da competência dos Estados, tem implicações» ao nível, por exemplo, da circulação de pessoas no espaço europeu.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 iniciaram a 26 de Janeiro último um debate, a pedido de Portugal, sobre a possibilidade de acolhimento nos países da UE dos detidos da base naval de Guantánamo como forma de ajudar o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a encerrar aquele centro de detenção em Cuba.

60 reclusos em causa

A medida afectará cerca de 60 dos 245 reclusos da base de Guantánamo que os EUA consideram inocentes, mas que por vários motivos não podem regressar aos seus países.

Mas os 27 estão divididos sobre a intenção de receberem os detidos da base naval de Guantánamo.

A decisão deverá ser tomada por cada um dos Estados-membros, estando alguns com receio, por exemplo, dos problemas de segurança e de livre circulação, dos agora detidos, em todo o espaço comunitário.

Portugal pioneiro na disponibilidade

Portugal foi o primeiro Estado-membro da UE a responder favoravelmente, em Dezembro último, a uma série de contactos exploratórios feitos pela anterior administração norte-americana junto de países europeus para saber da disponibilidade para receber detidos de Guantánamo.

Na altura, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, anunciou que Portugal estava preparado para ajudar o novo governo norte-americano no projecto de encerramento da prisão através do acolhimento de detidos e enviou uma carta aos homólogos europeus apelando a que fizessem o mesmo.