O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, reafirmou esta sexta-feira ser "totalmente falso" que Portugal se tenha oposto à criação de um consenso da União Europeia (UE) sobre a situação política na Venezuela.

É totalmente falso que Portugal se tenha oposto a qualquer dos termos que nós, os Estados-membros da União Europeia, consideramos, como é praxe quando se forma uma decisão de política externa da União Europeia, nos últimos dias relativamente à Venezuela", afirmou o chefe da diplomacia portuguesa, questionado sobre a posição de Lisboa quanto a eventuais sanções europeias a Caracas.

Santos Silva reiterou: "Qualquer notícia ou qualquer informação que circule dando conta de qualquer dificuldade colocada especificamente por Portugal para a formação do consenso da UE nestes termos é redondamente falsa".

O governante acrescentou que nas duas últimas semanas "têm sido ditas várias falsidades repetidamente" e apelou para que termine "tão depressa quanto possível" esse "ciclo, que em nada prestigia quem comete essas falsidades".

Santos Silva sublinhou esta sexta-feira que Portugal "foi dos primeiros países que deu o acordo ao texto preparado pelo Serviço Europeu de Ação Externa e a declaração da alta representante, Federica Mogherini, anteontem [quarta-feira], exprime a posição de todos" os Estados-membros.

Os países da UE, recordou Santos Silva, apelam a "todas as partes para que renunciem a atos de violência, para que sejam libertados os opositores políticos, mesmo os que estejam em prisão domiciliária [caso de Leopoldo López, dirigente do partido da oposição Vontade Popular], para que a separação de poderes seja respeitada e para que seja retomado o calendário eleitoral normal".

Pedimos às autoridades venezuelanas a adoção de medidas que criem confiança entre as partes", insistiu o governante português, que lembrou que, "do ponto de vista europeu, só o diálogo político entre as partes é que pode permitir chegar a uma solução de compromisso".

A Europa considera que a convocação, pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de "uma eleição para a chamada Assembleia Nacional Constituinte [prevista para o próximo domingo] faz escalar o risco de confrontação e não é uma medida que possa criar confiança".