O PS e BE concordaram esta quarta-feira na necessidade de aliviar Portugal da austeridade, mas mostraram-se em divergência quanto às medidas a adotar, com os socialistas a condenarem a postura «unilateral e isolacionista» dos bloquistas.

O deputado socialista Pedro Marques condenou a «sobreausteridade» imposta pelo Governo da maioria PSD/CDS-PP, liderado por Passos Coelho, no debate potestativo sobre a renegociação da dívida agendado pelo BE, embora frisando a importância de «honrar os compromissos internacionais».

«Essa duplicação da austeridade imposta levou o país para o buraco, de uma economia estagnada para uma economia a cair a um ritmo de quatro por cento», lamentou.

A bloquista Cecília Honório defendeu que as propostas do BE são a única forma de Portugal conseguir «tornar a dívida sustentável» e que «o grande risco do futuro do euro é garantido, isso sim, pelas políticas de austeridade».

«Esse haircut de 50 por cento, unilateral e isolacionista, e a retirada do memorando (da troika) implicariam a retirada da Europa. Rejeitamos essa via de renegociação», disse o parlamentar do PS, propondo que o BE alterasse o seu projeto de resolução para obter o voto favorável da bancada socialista.

Cecília Honório garantiu que o plano bloquista é a única forma «viável e sustentável de se pagar» e que a alternativa é «esta continuação de um triste fandango (tradicional dança ibérica a pares) da austeridade», referindo-se às opções do Governo de Passos Coelho e de Paulo Portas.

O deputado do PSD Miguel Frasquilho aconselhou o BE a preocupar-se com os efeitos das suas propostas na «vida das pessoas», classificando-as como um «irremediável atraso, com perdas irreparáveis para a população».

«O BE só está interessado na chicana política quando devia antes estar preocupado com os efeitos que estas políticas teriam na vida das pessoas. Têm ideia ou consciência do que isso seria? Defendem a saída de Portugal da zona euro? Nós defendemos que devemos honrar os nossos compromissos», disse.

Cecília Honório quis «devolver a expressão chicana política», referindo-se a um Governo da maioria PSD/CDS-PP «a desfazer-se e a refazer-se numa semana» com as respetivas consequências em termos de «degradação da vida política».

«Este Governo recauchutado fica capaz de renegociar alguma coisa? Depois do chilique político de Portas não será mais do que grupo de representantes permanentes da troika», lamentou o comunista Honório Novo, dizendo tratar-se de uma «OPA hostil do CDS sobre o PSD», enquanto Cecília Honório afirmou que «a única coisa irrevogável neste Governo é a austeridade».