O deputado socialista José Lello manifestou-se esta quarta-feira contra eleições antecipadas, alegando que ainda não há soluções alternativas de governabilidade e que o atual executivo deve ser responsabilizado e levar até ao fim o resgate financeiro.

José Lello, que pertenceu às direções socialistas lideradas por José Sócrates, assumiu esta posição de demarcação face à linha oficial do seu partido em declarações à agência Lusa e à Rádio Renascença.

«As eleições antecipadas fazem sentido quando há soluções alternativas de governabilidade, o que não se afigura muito percetível neste momento. O que está causa neste momento é a reformulação do Governo PSD/CDS e é justo que este executivo seja responsabilizado, levando até ao fim o processo de resgate, processo que tem vindo a levar a cabo com grandes dificuldades», sustentou o deputado do PS.

Interrogado sobre o que deverá fazer o Presidente da República, Cavaco Silva, na sequência da proposta de reformulação do Governo apresentada pelo primeiro-ministro no final da semana passada, José Lello disse entender que, «havendo uma maioria» no parlamento, o chefe de Estado «deverá manter este Governo em funções».

Confrontado com o facto de a direção do PS exigir eleições legislativas antecipadas, apontando mesmo a data de 29 de setembro, o deputado socialista respondeu: «Confesso que não conheço todo o enquadramento em que o secretário-geral do meu partido [António José Seguro] pensa essa situação».

«Porventura [António José Seguro] pode ter a ideia sobre a possibilidade de criação de uma plataforma com partidos do arco governativo ou fora do arco governativo. Não sei, desconheço. Mas não havendo claros indícios de haver uma maioria de um só partido e não havendo possibilidade de uma plataforma que sustente uma alternativa, acho que é difícil o PS defender uma solução desse tipo (eleições antecipadas)», advogou José Lello.

Para José Lello, o atual Governo «causou a queda» do anterior executivo liderado por José Sócrates «de uma forma absolutamente leviana».

«Portanto, agora, este Governo tem de levar até ao fim a sua estratégia, que é uma estratégia de demência pura. Mas é justo que eles levem até ao fim este processo», acrescentou.