A deputada do CDS-PP Cecília Meireles congratulou-se esta quinta-feira com a revisão em alta do crescimento português feito pela Comissão Europeia, sublinhando que demonstram que é possível aliar rigor e crescimento.

«Lembrando sempre que estamos a falar de previsões, a verdade é que elas são muito positivas, no sentido em que, pela primeira vez desde 2007 é revisto em alta o crescimento português», afirmou a deputada do CDS-PP, em declarações aos jornalistas no parlamento, numa reação às previsões de inverno da comissão europeia.

Nos dados conhecidos esta manhã, a Comissão Europeia reviu em alta as perspetivas de crescimento económico em Portugal este ano, estimando agora que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 1,6%, ligeiramente acima do que previu em dezembro e das previsões do Governo para 2015.

Quanto ao défice orçamental, Bruxelas prevê que em 2015 se atinja os 3,2%, uma ligeira melhoria face às últimas previsões, embora continuem a ser mais pessimistas do que o Governo, que antecipa um défice de 2,7%.

Para 2014, a Comissão Europeia antecipa que o défice orçamental seja de 4,6% do PIB, devido à «sólida recolha de impostos» e à «contenção efetiva da despesa», uma meta mais otimista que a do Governo.

Sublinhando que os dados revelam «várias coisas», a deputada do CDS-PP salientou o facto de demonstrarem que é possível ter simultaneamente objetivos de rigor e crescimento económico, além de indicarem que os portugueses foram capazes de ganhar confiança e credibilidade.

«Portugal passou por momentos muito difíceis, foram anos de sacrifícios, mas a verdade é que nós vemos agora o fruto desses sacrifícios e do esforço que os portugueses fizeram e também da enorme capacidade de resistência e de trabalho que demonstraram e isso está bem representado nestes sinais e nestes dados de crescimento», relata a Lusa.

Antecipando as críticas da oposição, Cecília Meireles disse ser necessário entender que se tratam de «previsões positivas», lamentando que os partidos mais à esquerda nunca valorizem os números positivos.

Nem mais, o deputado do PCP Paulo Sá atribuiu o crescimento da economia portuguesa à diminuição dos preços das matérias-primas nos mercados internacionais, considerando que se trata de «um crescimento económico anémico, insuficiente para as necessidades de desenvolvimento».

A diminuição dos preços das matérias-primas nos mercados internacionais, acrescentou, afeta todas as economias europeias, em particular a economia portuguesa que beneficia deste efeito.

Comentando os números, o deputado comunista ressalvou que mais importante do que a diferença de uma décima entre as previsões do Governo e de Bruxelas é o facto de se tratar de um «crescimento económico anémico, insuficiente para as necessidades de desenvolvimento do país e que resulta da opção do Governo por uma política de austeridade».

 A deputada do BE Mariana Mortágua destacou  «a deflação, um desemprego incomportável e um investimento líquido negativo» nas previsões de inverno da Comissão Europeia (CE), desvalorizando a revisão em alta do crescimento económico em Portugal.

«O que é um erro é os Governos e instituições europeias usarem estes dados e continuarem a não olhar para os problemas que continuam a existir na zona euro. Quem olhar para as previsões da CE, o que vê é deflação, um desemprego que continua a ser enorme e incomportável para as economias e um investimento líquido negativo que não permite a retoma de facto da economia europeia», afirmou, no Parlamento.