
O PSD acusou, nesta terça-feira, o PS de fazer «declarações incendiárias» com «falsidades», negando que tenha havido uma suspensão do grupo de trabalho do crédito à habitação.
Isto depois de o secretário nacional do PS João Ribeiro ter afirmado também neste dia que, desde que a maioria PSD/CDS «suspendeu unilateralmente» o grupo de trabalho, mais de 1200 famílias ficaram em risco de perder a casa.
«Ficámos muito surpreendidos. O PS parece estar a querer usar falsidades para atear fogos em tempo de verão. São declarações incendiárias e falsas», afirmou à Lusa o deputado do PSD Bruno Leitão Amaro, contrapondo que mesmo que as propostas do PS tivessem sido aprovadas em julho só entrariam em vigor em outubro.
O deputado social-democrata explicou que a suspensão do grupo é apenas a que decorre da suspensão de trabalhos no Parlamento durante o mês de agosto.
«O PSD e o CDS estão a trabalhar nas propostas, com reuniões marcadas para o mês de agosto. Não há férias para este assunto. No mês de setembro vamos apresentar propostas melhoradas após o trabalho na especialidade», garantiu.
Leitão Amaro sublinhou que após o conjunto de audições que o grupo de trabalho decidiu, por unanimidade realizar, apenas sobram «nem dois úteis» até ao final da sessão legislativa.
«Tínhamos 19 projetos de lei e resolução em mãos. Ninguém compreenderia como é que 19 projetos de lei e resolução poderiam ser alterados, revistos, mudados e aprovados em dois dias úteis», argumentou.
«As propostas que achamos que podem ajudar a resolver os problemas das famílias, as mais importantes, são aquelas que os próprios deputados do Partido Socialista concordaram que não havia condições para aprovar em julho», sublinhou Leitão Amaro.
O secretário-nacional socialista João Ribeiro estimou que, pelos números do Banco de Portugal conhecidos na segunda-feira, «até ao retomar das reuniões do grupo de trabalho, mais de quatro mil famílias podem ficar em dificuldade de pagar as prestações, correndo o risco de perder as suas casas».
«Por nós, as famílias portuguesas já teriam estas medidas à sua disposição. A maioria e o Governo não explicaram porque recuaram ou porque adiaram o grupo de trabalho. O que mudou?», questionou.
O crédito malparado aumentou em junho 109 milhões de euros para 14.373 milhões, 5,5 por cento do total de crédito concedido, atingindo um novo máximo histórico nas empresas, que representam a maior fatia do malparado, e diminuindo nas famílias, de acordo com os dados divulgados na segunda-feira pelo Banco de Portugal.
No crédito concedido às famílias, junho foi o segundo mês consecutivo em que o malparado caiu, tendo-se fixado nos 4.834 milhões de euros. Ainda assim, face a junho do ano passado, subiu 12 por cento.
O crédito à habitação continua a ser o que mais contribui para o malparado em termos absolutos, com 2.123 milhões de euros em junho (quase metade do malparado).
Os três homens foram eletrocutados quando procediam à manutenção de equipamentos numa fábrica