O candidato à liderança do PS António Costa considera que as últimas sondagens, com a descida do partido, demonstram a urgência de uma nova direção.

«A sondagem [do Correio da Manhã] aproxima-se dos maus resultados que o PS teve nas eleições europeias e é uma demonstração de como é urgente o PS vencer esta página e poder concentrar-se naquilo que é necessário», declarou aos jornalistas.

Falando no final da inauguração da sua sede de campanha, em Felgueiras, Costa acrescentou que a sondagem também demonstra a necessidade «de ter um PS mais forte, com uma nova liderança capaz da fazer na mudança que o país precisa».

O candidato foi hoje recebido em Felgueiras em clima de festa, não faltando os bombos tradicionais da região do Tâmega e Sousa.

Falando numa sala cheia, com dezenas de militantes e simpatizantes, António Costa destacou os apoios que hoje recebeu de dois históricos do PS no norte do país: Fernando Gomes, que tinha estado com Costa em Valongo, e Carlos Lage, presente em Felgueiras. No final, aos jornalistas, comentou importância daqueles apoios.

«Esta tarde tem sido rica em apoios, quer de simpatizantes que não são militantes do PS, quer de grandes figuras históricas socialistas, como Fernando Gomes e Carlos Lage», disse, acrescentando: «São dois históricos do PS no Norte do país que me conhecem bem e sabem o conhecimento que tenho do país, o apoio que sempre dei às políticas de descentralização e a confiança que sentem no contributo que posso dar, nesta fase da vida do PS, para a sua liderança e para a mudança política que é necessário fazer em Portugal».

A ouvir Costa estavam outras figuras do PS nortenho, como José Lelo, Manuel Pizarro e Isabel Oneto. O líder concelhio, Eduardo Bragança, não estava presente.

O autarca de Lisboa afirmou também que tem vivido «o debate este debate interno no PS com elevação, camaradagem e fraternidade».

«Nem faço, nem respondo a ataques pessoais. Devemos concentrar-nos naquilo que importa ao país e termos um novo Governo que possa apostar na qualificação, desenvolvimento gerador de crescimento e emprego e capaz de defender os interesses nacionais em Bruxelas», observou.

No discurso perante os militantes tinha recordado que, enquanto ministro da Justiça, nunca tinha encerrado tribunais. Convidado, no final, a revelar se reabrirá tribunais se um dia for primeiro-ministro, respondeu: «A justiça tem de estar próxima dos cidadãos e é fundamental que seja prestada junto às populações, porque só assim a função reparadora da justiça é percebida pela comunidade».

Costa considerou que é «é preciso continuar a ter os julgamentos nos sítios próximos das populações, que os tribunais continuem a servir as populações e termos uma Justiça mais ágil e eficiente».

O candidato à liderança do PS sublinhou que são bem conhecidas as suas posições sobre as questões da justiça e sobre outras matérias, porque não precisa de dizer hoje aquilo que disse ao longo dos últimos 20 anos.

«Ao longo destes anos não andei a gerir silêncios, nem andei a passar discreto. Assumi sempre as minhas responsabilidades, como membro do Governo e como deputado», acrescentou.