O secretário-geral do PS anunciou este sábado que, se os socialistas formarem Governo, vão lançar um novo programa para a erradicação da pobreza infantil e juvenil, após ter sido criado em 2005 o complemento solidário para idosos.

No final das Jornadas Parlamentares do PS, que se realizaram em Gaia, António Costa fez um discurso em que lançou a ideia de Portugal negociar com a União Europeia um novo programa de impulso à convergência, por ocasião dos 30 anos da adesão do país à Comunidade Económica Europeia (CEE), mas também um discurso repleto de críticas ao «dogmatismo» e «radicalismo ideológico» do atual Governo.

Numa intervenção em que defendeu que o Governo «fracassou nos seus objetivos de criar um novo modelo económico» no país e «falhou» metas que classificara como prioritárias no plano financeiro, designadamente o controlo da dívida, o secretário-geral do PS traçou também um quadro negro sobre a atual situação social.

«O esforço que o país fez na redução da pobreza, em particular com o complemento solidário para idosos, tinha permitido a Portugal fazer um percurso significativo de redução da pobreza - um objetivo de qualquer sociedade decente. Neste quatro anos, porém, não só não avançámos neste objetivo de erradicação da pobreza, não só não consolidámos o que tínhamos conseguido, e até andámos dez anos para trás», sustentou o líder socialista.


De acordo com o secretário-geral do PS, neste momento, o segmento da sociedade onde a pobreza mais tem aumentado é entre crianças e jovens dos zero aos 18 anos (31 por cento desta população está em risco de pobreza, 570 mil crianças e jovens).

«A pobreza infantil e juvenil é a mais dramática de todas as pobrezas, porque nos promete para amanhã não uma sociedade mais justa e mais igualitária, mas a reprodução de uma nova geração de pobreza e um retrocesso duradouro no país», vincou ainda o secretário-geral do PS.


Nesse sentido, segundo António Costa, se o PS formar Governo após as eleições legislativas, «terá agora de fazer para as crianças e jovens aquilo que, no passado, se fez para os mais idosos», em 2005, no executivo de maioria absoluta liderado por José Sócrates.

«Temos de fazer isso com uma iniciativa centrada na erradicação da pobreza infantil e juvenil - essa é uma prioridade que temos de assumir para o próximo ciclo governativo», advogou o secretário-geral do PS.


Ainda neste capítulo do seu discurso, António Costa salientou o caráter de injustiça social inerente à pobreza de crianças e de jovens.

«Não podemos cortar à partida, quando se é criança ou jovem, a oportunidade que todo o ser humano tem de possuir de realizar plenamente o seu potencial de desenvolvimento, de acordo com a sua capacidade, esforço, empenho e dedicação», disse.


Perante os deputados socialistas, António Costa reiterou as suas críticas à forma como o Governo está a utilizar os fundos comunitários, numa altura em que o país necessita de investimento, e defendeu que a utilização plena do programa «Garantia Jovem» permitirá não só recapitalizar as empresas, combater o desemprego juvenil (sobretudo o mais qualificado) e introduzir inovação para aumento da competitividade económica.

António Costa voltou ainda a criticar o Governo poer ter «desfeito» programas que só podem ter resultados a médio e longo prazo, «destruindo» a formação de adultos e cortando verbas destinadas à investigação científica.