O ex-presidente da Câmara de Lisboa João Soares afirmou esta segunda-feira que o secretário-geral do PS, António José Seguro, incomoda porque é contra o «centrão dos negócios», considerando existir um «preconceito aristocrático» contra o atual líder socialista.

Estas acusações foram feitas pelo deputado do PS João Soares no primeiro discurso da noite do comício da candidatura de António José Seguro às eleições primárias socialista do próximo domingo, no pavilhão do Casal Vistoso em Lisboa.

Num discurso muito aplaudido, João Soares referiu que a proposta do secretário-geral do PS para reforçar as incompatibilidades dos titulares de cargos políticos e para separar política e negócios «incomoda» alguns socialistas.

«Por alguma razão, tantos daqueles que infelizmente conhecemos que estão envolvidos em negócios (alguns deles bem vultuosos) encontram-se entre aqueles que se nos opõem. Há de facto, temos de reconhecer - e eles têm de reconhecer - um centrão dos negócios em Portugal. É contra esse centrão dos negócios que António José Seguro avança», declarou o filho do antigo Presidente da República Mário Soares.

Entre outras críticas ao atual presidente da Câmara de Lisboa, João Soares considerou que «cometeu uma profunda deslealdade» ao abrir uma crise interna após duas vitórias eleitorais do PS e que violou «o pacto de Coimbra», compromisso que assinara com o secretário-geral em 2012.

João Soares disse ainda que há no PS «um preconceito aristocrático contra António José Seguro» e os seus apoiantes, que elementos ligados a Costa colocaram em marcha uma «campanha vil» contra a mulher de Seguro [Margarida Maldonado de Freitas] e que Costa «encolheu-se quando podia ter-se candidato à liderança do PS em 2011, alegando que a sua vocação era ser presidente da Câmara de Lisboa».

«Às tantas estava a prever as inundações de hoje», comentou, provocando algumas gargalhadas.

No discurso seguinte, a eurodeputada socialista Ana Gomes salientou que o secretário-geral do PS já deu provas de lutar contra os interesses instalados, dando como exemplos «o combate à promiscuidade entre política e negócios» e a lista socialista paritária que constituiu nas eleições para o Parlamento Europeu.

Já o mandatário nacional da candidatura de Seguro, o presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, considerou o secretário-geral do PS «um grande líder político, que ao longo dos últimos três anos enfrentou uma coligação de direita PSD/CDS, um presidente da Comissão Europeia e uma coligação de comentadores televisivos apostados em promover o Governo e os adversários do partido».

«Seguro conseguiu o melhor resultado de sempre do PS nas eleições autárquicas e alcançou um grande triunfo em circunstâncias difíceis nas últimas europeias. Foi uma vitória dos que se mobilizaram e não daqueles que se acomodaram no colo da Dona Inércia. O golpe palaciano do camarada António Costa no dia seguinte às europeias não se faz em democracia», acrescentou.