O secretário-geral do PS advertiu no sábado à noite que o Governo, após as eleições autárquicas, prepara-se para encerrar um conjunto de serviço públicos em regiões do interior do país e que não o fez já por temer perder votos.

António José Seguro falava no final de um jantar comício na Meda, distrito da Guarda.

«O Governo prepara mais encerramentos de serviços, mas não o diz antes das eleições para não perder votos. Há um ano e meio o Governo propôs o encerramento de tribunais e, de um momento para o outro, deixámos de ouvir falar nisso. Não é que não continue previsto o encerramento de tribunais, mas eles querem ver se passam as eleições para encerrarem a seguir», disse o secretário-geral do PS.

Na sua intervenção, António José Seguro também contou o teor de uma conversa que teve no sábado com um homem, que lhe disse ter inicialmente ficado surpreendido por o líder do PS não ter chegado a acordo em julho passado com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e com o presidente do CDS, Paulo Portas, em torno de um acordo estratégico para o país.

Mas, segundo Seguro, esse homem afirmou que agora, face ao que se tem passado recentemente, com a decisão do Governo de cortar pensões, compreende perfeitamente a atuação não cooperante então seguida pelo PS em relação aos partidos que fazem parte do executivo.

«Disse-me: Sabe senhor doutor, não compreendi lá muito bem porque não chegou a acordo em julho com os partidos do Governo. Mas o senhor fez muito bem, porque o senhor quis defender os reformados e queria evitar que houvesse mais cortes em Portugal», referiu Seguro, citando o seu interlocutor no diálogo.

No período da noite, teve dois jantares comício, tendo no segundo deles, na Meda, discursado já depois da meia-noite.

Pelo meio, ainda acrescentou ao programa inicial uma passagem rápida por um minicomício na freguesia de Mesquitela, concelho de Celorico da Beira, e a sua caravana esteve bloqueada cerca de 20 minutos no IP2 por causa de um incêndio num automóvel ligeiro, num relato da Lusa.