O secretário-geral do Partido Socialista (PS) considerou esta quarta-feira «uma grande trapalhada» que o primeiro-ministro e o vice-primeiro ministro digam coisas «completamente diferentes sobre um assunto da maior gravidade como é a meta do défice».

«Parece-me uma grande trapalhada ter um primeiro-ministro a dizer uma coisa e o vice primeiro-ministro a dizer outra», disse aos jornalistas António José Seguro em Portimão, durante a visita que está a efetuar ao Algarve.

«Do nosso lado não há esse problema, porque desde o início que defendo mais tempo para que Portugal possa equilibrar as contas públicas», sublinhou Seguro.

O primeiro-ministro disse hoje que «não há uma decisão tomada» sobre a revisão do défice para 2014, mas garantiu que se o Governo entender que «é indispensável» uma alteração esse assunto será debatido com a troika.

Estas declarações de Passos Coelho foram feitas quando questionado sobre uma posição tomada de manhã pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, que declarou que o Governo continua a defender um défice orçamental para 2014 de 4,5% do PIB e não a meta de 4% que resultou da sétima avaliação da troika.

«O senhor vice-primeiro-ministro disse uma coisa que é conhecida, na sétima avaliação que teve lugar, o Governo defendeu que a meta para o défice público em 2014 fosse 4,5%, ele acabou por ficar fixado em 4%, dado que, quer o Fundo Monetário Internacional quer a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, entenderam que a meta deveria ser mais exigente», disse Passos Coelho.

Para o líder socialista, «se tivesse havido mais tempo para equilibrar as contas públicas, significava que os portugueses passavam menos sacrifícios e menos sofrimento».

«Teria havido muito menos falências e não teríamos um número astronómico de desempregados como neste momento», frisou.

António José Seguro voltou a defender um equilíbrio das contas públicas «ligando o ajustamento ao desempenho da economia», acrescentando que «isso não só é possível como é desejável».

«Nós só conseguimos sair desta crise se formos credíveis», concluiu o líder socialista num registo da Lusa.

O secretário-geral do Partido Socialista disse hoje que o Governo tem a maioria no parlamento «e por isso não precisa do PS» para aprovar o Orçamento do Estado para 2014, adiantando que o primeiro-ministro «é que é intransigente».

«Quem é intransigente é ele. Passados dois anos já não há dúvidas que a política de cortes só provoca sofrimento, recessão, austeridade e desemprego», disse hoje aos jornalistas António José Seguro durante a visita que está a efetuar a vários concelhos do Algarve.

Questionado sobre se o PS mantém a intenção de votar contra a proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano, Seguro afirmou apenas que «o Governo tem a maioria no parlamento e não precisa do PS para a aprovar o Orçamento».

«Não vejo que o Governo vá alterar alguma coisa porque está entranhado no primeiro-ministro a política de cortes. Ele quer desmantelar o Estado social e por isso vai ter de tomar medidas que asfixiam a escola pública, o Serviço Nacional de Saúde e cortes nas pensões», sublinhou.

Segundo o líder socialista, «os cortes e a política dos cortes está no gene, está no ADN deste Governo e deste primeiro-ministro», acrescentando que «o apelo que é feito é do país para que o primeiro-ministro pare com a política de cortes».

«Quem está alheado da realidade e da vida difícil dos portugueses é o primeiro-ministro», concluiu o secretário-geral do PS.