O PCP acusou esta quarta-feira o Governo de ir mais longe que a ditadura fascista no que à privatização dos CTT diz respeito, com os sociais-democratas a assinalarem que os CTT vão ser vendidos com uma valorização de 100% do seu capital.

«No que diz respeito aos CTT e ao serviço público postal, este Governo atreve-se a ir mais longe do que foi a própria ditadura fascista. Pela primeira vez em cinco séculos de história, os correios são entregues aos interesses privados dos grupos económicos», acusou o deputado comunista Bruno Dias em intervenção no Parlamento.

O parlamentar criticou na sua intervenção o «obsceno espetáculo de enriquecimento de alguns à custa do empobrecimento de quase todos», num «processo verdadeiramente escandaloso de submissão total do interesse público, em que tudo vale para favorecer este vergonhoso negócio».

Na resposta, o deputado do PSD Luís Menezes, reconhecendo o «mar ideológico» que separa as posições dos sociais-democratas e dos comunistas, disse que o Estado receberá com esta venda «quase aquilo que receberia por 12 anos de dividendos futuros», ficando ainda com 30% do capital dos CTT.

O parlamentar laranja, que registou a coerência do PCP sobre esta matéria, acusou o PS de «falta de vergonha» porque em todos os Programas de Estabilidade e Crescimento (PEC) dos socialistas estava inscrita «preto no branco a privatização dos CTT».

A venda das ações dos CTT - Correios de Portugal permitiu um encaixe de 579 milhões de euros, disse hoje o presidente executivo da empresa, Francisco Lacerda.