O líder parlamentar socialista acusou esta quarta-feira o PSD de ter inviabilizado a eleição de Correia de Campos para presidente do Conselho Económico e Social (CES) e avisou que outros acordos, caso do provedor de Justiça, serão reponderados.

Carlos César falava aos jornalistas após o antigo ministro socialista Correia de Campos não ter conseguido obter dos 221 deputados votantes uma aprovação de dois terços para ser eleito para o cargo de presidente do CES, apesar de a sua candidatura ao lugar ter sido objeto de acordo entre socialistas e sociais-democratas.

Se Correia de Campos tivesse concretizado a sua eleição para o cargo de presidente do CES, o PS comprometia-se a ceder ao PSD, como contrapartida, em 2017, a indicação do nome para o cargo de provedor de Justiça.

Depois de ter responsabilizado o PSD "por não ter honrado" o seu compromisso com o PS em matéria de presidência do CES, Carlos César deixou um aviso aos sociais-democratas.

"Em conjunto com o professor Correia de Campos ponderaremos e no início da próxima sessão legislativa anunciaremos a posição que vamos tomar sobre esta e outras eleições", afirmou.

Numa eleição por voto secreto - e que requeria uma maioria de dois terços -, entre os 221 deputados que votaram, Correia de Campos obteve apenas 105 votos a favor, registando 93 brancos e 23 nulos.

Perante este resultado, o presidente do Grupo Parlamentar do PS disse que, na sequência do acordo entre as duas maiores bancadas da Assembleia da República, "esperar-se-ia que, além dos votos dos deputados socialistas, o PSD também votasse a favor".

Em jeito de conclusão disse depois que "há partidos que dão valor aos seus compromissos, há pessoas que honram a sua palavra, mas não foi nem é o caso do PSD".

"Só o PSD pode encontrar razões para se envergonhar de si próprio. Estamos perante uma falha grave do ponto de vista ético e da honra parlamentar do PSD. Esta situação será avaliada na devida altura", acrescentou.