O antigo ministro da Saúde Correia de Campos defendeu hoje que o PS pode rever as suas escolhas «em todo o momento» e que António José Seguro já deveria ter convocado um congresso do partido.

«Tem de haver um congresso e já vai tarde», sublinhou o antigo governante, em declarações à agência Lusa, à margem da cerimónia da atribuição, pela Universidade daquela cidade, do título de "doutor honoris causa" ao histórico socialista e fundador do Serviço Nacional de Saúde António Arnaut.

O Partido Socialista, prosseguiu, é «constituído por muita gente que pensa pela sua própria cabeça e que em todo o momento pode escolher e rever as suas escolhas», afirmou

«Este é o momento azado» para o partido discutir esse assunto, pois «teve certamente uma vitória eleitoral» nas europeias de 25 de maio, «mas foi uma vitória pequeníssima, que não augura que se possa replicar, muito menos ampliar, nas próximas eleições legislativas ¿ e isso tem muitas razões», que «devem ser discutidas», sustentou o antigo ministro do Governo de José Sócrates.

O secretário-geral do PS «deveria ter tido, ele próprio, a iniciativa de lançar esse congresso», defendeu Correia de Campos, adiantando supor que António José Seguro vai propor na reunião da Comissão Nacional do partido, marcada para sábado, a realização de um congresso.

«De qualquer forma, [António José Seguro] já não se vai livrar de três ou quatro dias de silêncio, o que me parece que vai jogar contra ele», sustentou o antigo governante.

O congresso «não deve ser visto como um processo traumático», apelou Correia de Campos, defendendo que a reunião plenária dos socialistas seja «um processo sério, responsável e sempre solidário» e que dela resulte «uma boa solução».

Na cerimónia de atribuição do grau de "honoris causa" a António Arnaut, hoje, de manhã, na Universidade de Coimbra, também estiveram presentes, entre muitos outros convidados, o secretário-geral do PS, António José Seguro, o Ex-Presidente da República Jorge Sampaio, a presidente do PS, Maria de Belém Roseira, e o seu antecessor no cargo, Almeida Santos, o presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, e o presidente da Associação 25 de Abril, tenente-coronel Vasco Lourenço.