«Não é a dificuldade que comanda a política. A política é que deve comandar a dificuldade, para vencer e ultrapassar as dificuldades. Na política, tal como na navegação, não queremos uma tripulação que se atemorize ou que abandone o barco, queremos um comandante que salte para a ponte, dê garantias, assuma responsabilidades e assuma que o barco vai chegar a um bom porto», disse Jaime Gama, citando Napoleão em pleno Congresso Nacional do PS.

As palavras do presidente da Assembleia da República surgem a propósito da necessidade nacional em combater a crise. «Portugal precisa de política visionária, capaz de conceber com grandeza as respostas adequadas», frisou, apontando José Sócrates como o caminho correcto.

«É uma liderança de quem não verga perante as dificuldades, de quem não verga nem vai vergar perante qualquer dificuldade. Isso é bom, isso é positivo, isso é forte e dignifica o PS», frisou Gama, apontando objectivos concretos para o futuro: «Contra a inacção o PS garante decisão; contra a frivolidade, garante frontalidade; contra o cinismo, garante convicções; contra a demagogia, o PS garante seriedade; contra a confusão, o PS garante clareza. Estou certo que o partido da clareza vai vencer o partido da confusão».

Antes de se despedir, deixou um alerta: «Não façamos do PS o adversário de si mesmo, quando todos os outros querem confiar no PS para garantir ao país a capacidade para ultrapassar os problemas».

Correia de Campos elogia

Outro «peso pesado» presente em Espinho foi o ex-ministro da Saúde, Correia de Campos. O discurso foi pouco empolgante e assentou nos elogios à estratégia do Governo.

«A batalha é a crise. Se resolvermos o problema da crise nós facilmente venceremos todas as outras dificuldades, incluindo as eleições. Se vencermos a crise mostraremos aos portugueses em quem devem confiar», frisou, lembrando que as grandes medidas lançadas nos dois primeiros anos de mandato já foram «absorvidas, assumidas pelos portugueses».

E, claro, não faltou a alusão à «campanha negra», considerando que se registam «a ataques ao carácter» por parte de duas entidades: «Há uma confusão entre a Comunicação Social e a oposição em que já não se sabe que é a caixa de ressonância de quem».