O ex-coordenador bloquista, Francisco Louçã, afirmou que o BE tem de «derrubar muros» para «ser a alternativa que conta na urgência», porque «não há resposta num PS medroso, de chapéu estendido para Bruxelas».

«Falta uma esquerda unida que seja a voz do povo que luta, que se atreva a disputar 20% do país para poder ser a alternativa que conta na urgência e para isso não basta pedalar, pedalar é passear, o que é preciso é derrubar muros», declarou o antigo coordenador do BE.

Num discurso que foi aplaudido de pé pelos delegados, Francisco Louçã considerou que o eleitorado não tem «resposta num PS medroso, de chapéu estendido para Bruxelas a fazer contas aos cortes futuros e à espera de uma esmola de [Jean-Claude] Juncker».

«Lutámos quinze anos contra o corrompimento da democracia, as redes de ministros nas bancas e na parceria público-privado, trinta mil milhões extorquidos em juros, vendas de aeroportos, correios, a aberração do tratado orçamental, do tratado transatlântico e do euro, ganhámos muitas vezes, ganhámos a Ricardo Salgado, o dono disto tudo, lembram-se?», perguntou, em tom irónico, à plateia de várias centenas de bloquistas.

O antigo deputado advertiu que o BE não desiste «de combater o monstro financeiro e a prisão do tratado orçamental» e é, com «orgulho», um «partido perigoso para a corrupção e para o colaboracionismo com Merkel».

Numa crítica implícita à candidatura protagonizada por Pedro Filipe Soares, o fundador bloquista deve colocar a mobilização à frente da defesa da Constituição.

«Não é um preâmbulo, nem é uma lei que nos vai defender, é preciso irreverência sim senhor, como estou de acordo, mas a irreverencia é uma atitude que vai e vem, é paixão, a paixão que nos levou a pé de Lisboa a Braga na marcha pelo emprego, a paixão que nos fez levantar o país pelo aborto, a paixão que nos uniu na fundação do BE», acrescentou.

Neste contexto, Louçã deixou um elogio à «paixão» da deputada Mariana Mortágua e ao papel do BE no Parlamento para que a reposição das subvenções vitalícias não avançasse.

«Mariana, tu estás lá para criar mal-estar a todas as vergonhas, este é um partido de palavras radicais, paixão é olhar para a viúva a quem querem tirar a casa, aos enfermeiros em greve e dizer a nossa gente tem a certeza que revolvemos o mundo por eles, um partido que fala verdade, que responde à pergunta, a nossa luta é contra o monstro financeiro, atacamos a dívida porque assim salvamos salários e pensões», disse.

Desafio à liderança é «irresponsabilidade» sem precedente

O ex-coordenador do BE criticou duramente a disputa da direção de João Semedo e Catarina Martins por Pedro Filipe Soares, afirmando que «é uma prova de imaturidade e não se faz».

«Não houve nunca na história do BE erro maior nestes quinze anos do que a irresponsabilidade da divisão da direção», afirmou Louçã.

O fundador e líder histórico do BE discursava no período de debate entre moções, durante a IX Convenção Nacional, em que Pedro Filipe Soares encabeça uma moção que disputa a coordenação de João Semedo e Catarina Martins.

Para Louçã, esta iniciativa, apoiada pelo fundador Luís Fazenda, «é uma prova de imaturidade e não se faz».

«Por isso eu subo a esta tribuna para vos falar da força do BE, porque é todos juntos que temos de resolver este erro, para isso quero responder ao que é que aqui estamos dispostos a fazer pelo Portugal do povo que trabalha, este BE já fez muito mas ainda não fez o suficiente», declarou.

No final, dirigindo-se aos militantes, Francisco Louçã aludiu à sua saída da Mesa Nacional: «Neste ciclo temos de dar tudo o que temos da melhor forma que sirva a esquerda, estou disponível como sempre, como me conhecem, para tudo o que o BE precisar e sempre que o BE precisar, e estarei no lugar mais honroso, que é o de militante base».

Nesta Convenção Nacional do BE, a moção encabeçada por Pedro Filipe Soares disputa a liderança João Semedo e Catarina Martins, que há dois anos assumiram a coordenação.