O dirigente do Podemos espanhol Miguel Urbán levantou hoje os delegados à Convenção do Bloco com um discurso contra o poder europeu, contra falsos socialistas e com a promessa de encerrar a central nuclear de Almaraz.

Miguel Urbán foi o último orador do período da manhã do primeiro de dois dias da X Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, que decorre no pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa.

Na véspera de eleições gerais em Espanha, o dirigente do Podemos e eurodeputado deixou aos bloquistas portugueses uma garantia em caso de vitória eleitoral da sua força política: "Vamos fechar Almaraz".

"Será o primeiro passo para o fim das centrais nucleares em Espanha", declarou, motivando uma prolongada ovação, num discurso em que acusou os atuais responsáveis pelas instituições europeias de seguirem uma política económica, financeira e social que "alimenta o fascismo, o racismo e a xenofobia" no continente.

Miguel Urbán criticou, designadamente, as medidas da União Europeia (acordadas com a Turquia) para conter os refugiados e que, na sua perspetiva, tornaram o Mediterrâneo "numa imensa vala comum", defendendo em contraponto a criação de um "corredor humanitário".

"Queremos uma Europa do poder popular, uma Europa que recupere o antifascismo", declarou.

Além de se insurgir contra as políticas de austeridade aplicadas aos países do sul da Europa, através de processos de ajustamento financeiro, o dirigente do Podemos atacou também fortemente o Governo socialista francês, nomeadamente em matéria de reforma laboral, ao qual associou o líder dos socialistas espanhóis, Pedro Sánchez.

Numa alusão às forças políticas que fazem parte do Partido Socialista Europeu (PSE), o eurodeputado espanhol lançou um desafio aos bloquistas: "Vamos tirar-lhes a palavra socialismo".

Em caso de vitória eleitoral, o eurodeputado do Podemos prometeu que o novo executivo espanhol reforçará a luta de países como a Grécia contra os responsáveis das instituições europeias.

"A partir de domingo, não será mais uma luta de David contra Golias", afirmou, numa referência ao conflito travado no ano passado entre o executivo de Atenas, liderado por Alexis Tsipras, e o Conselho Europeu.