O antigo ministro e dirigente do PSD António Capucho acusou o Governo de ter produzido uma devastação social e afirmou que o secretário-geral do PS tem provas dadas e lhe merece plena confiança pessoal e política.

Expulso do PSD em 2013, António Caucho proporcionou uma das primeiras ovações da noite de Convenção Nacional do PS, quando declarou o seu apoio ao PS nas próximas eleições legislativas.

"Por todas as provas dadas e conhecidas ao longo dos anos, que testemunhei, António Costa merece a minha plena confiança no plano pessoal e político. Sem prejuízo do meu estatuto de independente e sem qualquer contrapartida, em consciência e em coerência com as minhas convicções ideológicas (pois continuo a ser social-democrata), quero aqui deixar o meu testemunho de apoio público ao PS nas próximas eleições legislativas", declarou o antigo secretário-geral do PSD e ex-presidente da Câmara de Cascais, recebendo uma prolongada salva de palmas.

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No início da sua intervenção, o antigo ministro social-democrata elogiou o presidente honorário do PS, Almeida Santos, figura que considerou "uma referência da democracia portuguesa", referiu a sua atual condição de independente na Assembleia Municipal de Cascais e lembrou que há três anos entrou em rutura com o PSD, partido que ajudou "a fundar ao lado de Francisco Sá Carneiro".

Depois, fez uma crítica cerrada ao atual Governo PSD/CDS, acusando-o de ter ido "muito para além" da ‘troika' (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia).

"Foi manifesto que o Governo incumpriu as promessas que fez solenemente na campanha eleitoral ao cortar salários, pensões e apoios sociais, mas também ao reduzir serviços públicos essenciais, ao mesmo tempo que procedeu a um aumento brutal de impostos", sustentou.

Para o ex-ministro do PSD, a terapêutica do Governo "foi excessiva, apressada, sufocou a economia e conduziu a uma devastação social, com agravamento da pobreza e do fosso entre ricos e pobres".

"Perderam-se mais de 400 mil empregos em termos líquidos e levou à emigração de mais de 250 portugueses, na sua maioria jovens", apontou.

Ora, para António Capucho, "o problema é que ainda na quarta-feira à noite, numa iniciativa fracassada da coligação PSD/CDS, destinada apenas a ofuscar a apresentação do programa eleitoral do PS, a maioria confirmou que não pretende mudar de estratégia".

"O que se impõe precisamente é fazer diferente, aliviando a austeridade e apostando no relançamento da economia e do emprego", contrapôs, antes de considerar como "globalmente positivas e credíveis" as propostas constantes no programa eleitoral do PS.