As sirenes e os apitos que trouxeram fizeram sair do pavilhão da Feira Internacional de Lisboa bastantes curiosos para perceber o que se passava lá fora. Não era um daqueles avisos de incêndio, mas havia fogo. Eram apenas algumas dezenas, talvez cerca de 100 pessoas, mas fizeram-se ouvir a alto e bom som. Ergueram os cartazes que traziam escondidos à chegada da secretária de Estado e Adjunta da Educação. O último dia do congresso do PS não escapou, assim, a mais um protesto sobre as mais recentes medidas do Governo para o setor. 

Em causa está a polémica sobre os contratos de associação entre o Estado e colégios privados, que tem dominado a atualidade nas últimas semanas. "A Educação em Portugal está a ficar um zero à esquerda""PS fecha escolas de qualidade" são algumas das frases que constam nos cartazes que pintavam o protesto. Entre as palavras de ordem, ouviu-se sobretudo uma: "Liberdade".

 

Vieram de Aveiro, Santo Tirso e Coimbra, pelo menos, pela liberdade de escolha na educação. Não arredaram pé. Afinal, o PS é o partido do Governo e a reunião magna da família socialista é hoje encerrada pelo secretário-geral e primeiro-ministro António Costa, pela hora do almoço.

Instituto Nun'Álvares ou colégio das Caldinhas, representado por cerca de 20 pessoas:

 

A exceção na inércia dos militantes socialistas 

Muitos militantes socialistas assistiram ao protesto,mas demorou até alguém reagir. Joaquim Banha, autarca de Coruche, o único que nestes três dias veio sempre acompanhado da sua grande bandeira do partido, ergueu o punho socialista e, de dedo em riste, dirigiu-se aos manifestantes.

Pouco depois, a TVI24 conversou com ele. Defende que não tem de ser o dinheiro dos contribuintes a pagar colégios. Conta a sua própria experiência: tem uma filha que frequentou um e pagou por isso. Teve liberdade de escolha. Consegue, por outro lado, compreender o drama dos professores que vão ficar sem trabalho: "Aí estou com eles"

Passado um pouco, um grupo de cerca de 15 pessoas juntou-se a Joaquim Banha. Ele no centro mais a sua bandeira. Gritavam PS, PS, PS. Sorrisos na boca. 

Os socialistas que estão com António Costa, as suas medidas e o seu Governo eram muitos mais lá dentro, naquele momento a ouvir a apresentação das moções sectoriais sobre temas fraturantes

Lá fora, proporcionalmente, poucos quiseram dar importância aos professores que se sentem feridos com as escolhas do Governo. Dos congressistas que foram ver, quase todos se remeteram a uma posição de observadores perante o ruidoso protesto.