«Todos assinavam de cruz o que Cruz dizia».O deputado do PS José Magalhães e vice-presidente da comissão de inquérito ao BES classifica, desta forma, a passagem de culpas para o contabilista do Grupo Espírito Santo, Francisco Machado da Cruz, que os ex-administradores do GES têm feito nas suas audições. Sobretudo Ricardo Salgado, Morais Pires e Manuel Fernando Espírito Santo, que está a ser ouvido esta terça-feira. Quanto ao colapso do grupo e do banco, quem estava no topo da hierarquia não tem feito mea culpa

«Todos assinavam de cruz o que Cruz propunha». «E Cruz surge como o homem mais poderoso de Portugal e do GES, o que é uma aberração»


Foram estas as primeiras palavras de José Magalhães, quando tomou a palavra na primeira ronda de perguntas, antes de questionar o ex-administrador do GES Manuel Fernando Espírito Santo. É de lembrar que o Banco Espírito Santo levou por tabela com a ocultação de contas na Espírito Santo Internacional, a holding do grupo onde os problemas começaram.

OS PRINCIPAIS TÓPICOS DA INTERVENÇÃO DE MANUEL FERNANDO ESPÍRITO SANTO 

Face ao recorrente «não sei» como resposta do primo de Ricardo Salgado, o deputado socialista quis lembrar a a «obrigação legal» de falar verdade e esclarecer a comissão de inquérito. 

Antes, também a deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, teceu críticas ao discurso ambíguo de Manuel Fernando, assinalando que «já se percebeu que disse que não tinha conhecimento de nada. Isso por si só bastaria para terminar aqui a conversa», ironizou. Mais à frente, Miguel Tiago (PCP), corroborou: 
«Já costumamos a ficar habituados a que os responsáveis das empresas não saibam das contas das empresas», afirmou.

Logo na sua intervenção inicial, o ex-administrador do GES deu a entender que não teria condições de falar de tudo, por não ter «verdadeiro conhecimento de causa» de algumas situações. Demarcou-se sempre dos problemas de ocultação de contas na ESI, passando, tal como Ricardo Salgado, a responsabilidade para o contabilista