A ministra da Administração Interna admitiu, na quarta-feira à noite, a possibilidade de instaurar um inquérito ao incêndio que deflagrou sábado em Pedrógão Grande, mas para tal necessita de obter todos os dados sobre aquilo que se passou.

É algo que não estou a excluir neste momento. Preciso de ter dados sobre a atuação da GNR e da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) e de ter indícios que me permitam fazer um inquérito”, disse Constança Urbana de Sousa, em entrevista à RTP3.

Constança Urbano de Sousa adiantou que, neste momento, ainda não dispõe “daquilo que se chama a fita do tempo porque o teatro de operações ainda não terminou”.

Segundo a ministra, a fita do tempo vai dizer “quem é que fez o quê e a que horas”.

Essa fita do tempo fecha-se no momento que este incidente terminar e eu não excluo que possa haver um inquérito", afirmou, sublinhando que necessita de saber o que aconteceu ao nível local e nacional.

“Preciso de dados que ainda não disponho. Neste momento, ainda estou muito concentrada em acabar com este incêndio”, sustentou, considerando que se justifica “uma investigação independente”, que pode ser feita por uma comissão parlamentar.

A ministra disse também que a GNR já instaurado um inquérito interno para apurar a questão porque não foi encerrada a estrada Estada Nacional (EN) 236-1, apelidada agora de “estrada da morte” e onde morreram várias pessoas encurraladas pelas chamas entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos.

Para a governante, a explicação dada pela GNR ao primeiro-ministro já é “alguma coisa”, mas o inquérito interno “terá que ser mais conclusivo”.

Na entrevista, Constança Urbano de Sousa disse que alerta de prontidão da ANPC tem que ser “avaliado de uma forma mais aprofundada” e admitiu que possa ter “havido uma subvalorização da avaliação” das condições meteorológicas.

A ministra sublinhou igualmente que das informações preliminares que dispõe o SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) não falhou totalmente, avançando que às 20.00 de sábado foram mobilizadas duas redes moveis satélite para assegurar a rede da SIRESP.

Na entrevista, Constança Urbano de Sousa disse ainda que não se vai demitir do cargo, enquanto tiver a confiança do primeiro-ministro.

Era mais fácil demitir-me, mas optei por dar a cara”, afirmou.

O incêndio, que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, segundo o último balanço, divulgado esta quarta-feira. É o mais mortífero da história do país.

O fogo começou em Escalos Fundeiros, e alastrou depois a Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria.

Desde então, as chamas chegaram aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

O incêndio consumiu cerca de 30 mil hectares de floresta, de acordo com dados do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais.