Constança Cunha e Sá analisou esta quarta-feira a reforma do IRS no seu comentário na TVI24 e considerou que o «Governo enganou o país» e que esta reforma do imposto sobre as famílias é uma «trapalhada.

O primeiro-ministro anunciou na terça-feira que o Governo vai criar «uma espécie de cláusula de salvaguarda que impedirá que famílias sem filhos sejam prejudicadas», ou seja, em 2016, quando os contribuintes - com ou sem filhos - entregarem a declaração de IRS, poderão acionar a cláusula de salvaguarda. Uma opção que permite a não validação da declaração eletrónica que levará a administração fiscal a proceder à comparação entre a liquidação de imposto com base nas regras de 2014 e 2015. Depois, o fisco vai enviar ao contribuintes uma nota de comparação das duas liquidações e o contribuinte poderá optar qual quer validar.

«A máquina fiscal tem tempo, gente, dinheiro, para fazer essas simulações todas?», questionou Constança Cunha e Sá.

Perante este cenário, a comentadora concluiu que «o Governo enganou o país dizendo que desagravando o imposto das famílias numerosas não agravava o imposto a famílias sem filhos ou com um filho», e, «para resolver a trapalhada que tinha feito, inventou uma espécie de remendo, que é a cláusula de salvaguarda».
E acrescentou: «Aquela gente que vai aumentar em 32% as despesas com estudos, análises, consultores, etc., não tem ninguém que perceba de matemática», de informática e não tem ninguém que diga algo «óbvio» que é «desagravando de um lado, agrava do outro».

«É extraordinário que venham criticar a comunicação social dizendo que as simulações estão mal feitas, quando eles próprios vão atrás dessas simulações e é por causa dessas simulações que são obrigado a agarrar essa espécie de remendo, que não remenda coisíssima nenhuma», disse.

Depois dos problemas com o Citius e com a colocação de professores «só nos faltava agora este enredo à volta do IRS que pode acabar num colapso informático das Finanças».

«É uma trapalhada sem pés nem cabeça em que o governo se meteu e que cria a maior das incertezas nos contribuintes. Neste momento, ninguém sabe quanto é que vai pagar de IRS», concluiu.

«Temos uma reforma de pequenos casos» em vez de ser uma reforma geral. «Isto é uma espécie de reforma que tenta contrariar sem contrariar a grande reforma que de facto foi feita do IRS, que foi feita por Vítor Gaspar», acrescentou.