Constança Cunha e Sá, no seu comentário desta segunda-feira, analisou a proposta de eleições legislativas antecipadas desejadas por alguns setores da sociedade, como os patrões, e a rejeição de Passos Coelho em terminar o mandato mais cedo.

A comentadora partiu do caso concreto para explicar o todo, ou seja, pegando nas declarações do primeiro-ministro, esta segunda-feira, que revelou que Nuno Crato tinha colocado o lugar à disposição e na sua reafirmação da confiança na escolha que fez para tutelar a Educação.

«O que seria se ele não tivesse acertado [na escolha do ministro]. Tinham explodido as escolas», disse com ironia.

E acrescentou: «Acho surrealista, de uma impunidade e de uma arrogância enorme o primeiro-ministro dar-se ao luxo de vir dizer que a forma como está a correr o início do ano escolar mostra a brilhante escolha que ele fez para a Educação. Ultrapassa os limites do razoável e as pessoas não podem ser tomadas por tolas».

A comentadora mostrou-se indignada com o início do ano letivo. Estamos a entrar na sexta semana de aulas e ainda há alunos sem professores, ou seja, conclusão: o ministro Nuno Crato só «contribuiu para o problema», mas não para a solução.

E, finalizando, disse: «Este ministro está morto politicamente» e «a responsabilidade é também de quem não o demite», o primeiro-ministro.

Do caso concreto, do ministério da Educação, para a análise do governo como um todo, isto é, o que se passa na Educação reflete o que se passa no Executivo: «Chegámos ao final de um ciclo» e «o arrastar deste governo mais um ano é um exercício mórbido».

O primeiro-ministro justificou a manutenção do Governo até ao fim da legislatura, suportado pelo texto da Constituição, o que, para a comentadora foi irónico: «Passos Coelho descobriu depois de três orçamentos inconstitucionais que existe uma Constituição», pelo que «por uma questão de higiene política devia pôr-se fim a este Governo».

Há ainda outra justificação, a política, para o Governo se manter: o desgaste de António Costa, recém-eleito líder do PS e que vive agora o estado de graça, mas, Constança Cunha e Sá não entende que esta possa ser uma boa estratégia: «Pelo caminho que as coisas tomam, eu não sei quem é mais desgastado» ao fim deste ano que falta até às eleições.

Para tal, considerou, há-de contribuir o «orçamento irrealista», como já lhe chamou Eduardo Catroga.

Portanto, a comentadora não vê «vantagem nenhuma em prolongar este martírio», mas o cenário de eleições antecipadas parece afastado. «Cavaco Silva vai ceder à exigência de Passos Coelho. O presidente nunca levantou qualquer problema em relação a este Governo, nunca o pôs em causa», por isso, «não havendo acordo [dos partidos para antecipar as legislativas], não acredito que Cavaco Silva vá contra a vontade da coligação», concluiu.

Por tudo isto, Constança Cunha e Sá antevê um «ano num impasse, em semi-campanha eleitoral».

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