O debate no Parlamento do Orçamento do Estado para 2015 (OE2015) na generalidade dominou o comentário de Constança Cunha e Sá, esta quinta-feira, na TVI24.
 
A comentadora considera que este OE2015 «é o primeiro passo para um OE retificativo» e o debate fica marcado por uma «gafe» de Passos no que toca à matéria dos cortes salariais em 2016.

 Constança Cunha e Sá é da opinião que o debate «não teve interesse nenhum».
 
«Quando chegamos aqui e vimos que isto [a questão dos cortes salariais graduais em 2016], se calhar, foi o episódio mais interessante do debate do OE2015, está tudo dito», conclui a comentadora.

 Constança Cunha e Sá entende «há ali uma gafe» no discurso de Passos Coelho na Assembleia da República sobre os cortes salariais em 2016.

 «Ele leu um texto escrito e depois apanhou a boleia do debate para acrescentar a sua própria proposta». Com ironia, diz: «Ele nunca disse que ia repor, verdade seja dita». Como Passos «não quer saber do Tribunal Constitucional para nada, vai repor apenas 20 por cento», «apesar do TC ter decidido que em 2016 se devia repor integralmente os cortes nos salários da Função Pública».

  Passos Coelho «só se lembra da Constituição quando é para recordar que não pode ser afastado do cargo de primeiro-ministro antes de outubro de 2015».
 
«Este OE2015 não traz nada de novo. É um OE trapalhão». E dá exemplos: o «Primeiro-ministro vem dizer que a reforma do Estado está incluída no OE2015 quando toda a gente percebe que não está. Um OE que tem medidas extraordinárias de dois mil milhões de euros, não é propriamente um OE em que se possa falar de uma reforma do Estado», tal como «não se percebe como é que se chega a 2015 com a necessidade de racionalizar bens e serviços».

 Por outro, há a reforma do IRS, com todas as dúvidas sobre os casais com filhos e sem filhos e a cláusula de salvaguarda.

 Acrescenta ainda o «mistério» no teto dos apoios sociais, já que não percebeu a explicação do ministro Mota Soares. «Como é que se vão poupar 100 milhões de euros sem prejudicar os mais pobres?», a comentadora deixa a pergunta no ar.

Constança Cunha e Sá comentou ainda o fim do mandato de Durão Barroso na Comissão Europeia.Veja o comentário na íntegra.