Notícia atualizada

O ministro da Defesa Nacional, Aguiar-Branco, desafiou esta terça-feira o PS a apresentar o seu «caderno de encargos» para uma «base de entendimento orçamental» com a maioria e o Governo, para os próximos anos.

José Pedro Aguiar-Branco considerou que «parece indiscutível» que o PS não gosta da palavra consenso e disse que isso pode dever-se à proximidade de um ato eleitoral, referindo-se às eleições europeias de 25 de maio.

«Mas se a palavra consenso é aquela que muito preocupa, estive a procurar outra expressão que pudesse acompanhar. Por isso o meu desafio, que lanço daqui ao Partido Socialista, se não gosta da palavra consenso, é ter a disponibilidade para nós chegarmos a uma base de entendimento orçamental para os próximos anos», afirmou.

O ministro da Defesa Nacional intervinha num debate organizado pela Confederação de Serviços de Portugal (CSP), num hotel de Lisboa, sobre os desafios do «pós-troika».

Questionado por um participante na sessão sobre a forma de concretizar esse consenso «numa base de confiança», Aguiar-Branco afirmou que o primeiro elemento a ter em consideração é definir «onde é que está o interesse nacional».

Aguiar-Branco considerou, como exemplos concretos, que é possível haver consenso na «definição de prioridades orçamentais, na definição de uma zona comum indiscutível independentemente do Governo que estiver em funções».

«Esta é uma hipótese de trabalho e que o PS venha dizer qual o caderno de encargos que acha relevante ser colocado em cima da mesa para que essa base de acordo orçamental possa acontecer», cita a Lusa.

O ministro da Defesa, Aguiar-Branco, advertiu ainda que o «ajustamento não acabou» e que é preciso continuar as «reformas estruturais», defendendo que o aumento de impostos, «seja para o que for», não tem uma dimensão «virtuosa».

Intervindo num debate organizado pela Confederação de Serviços de Portugal (CSP) sobre os desafios do «pós-¿troika», o ministro da Defesa defendeu que entre as maneiras de injetar dinheiro na economia, a que tem uma «dimensão maligna» é o aumento de impostos.

«A maligna é o aumento de impostos. Quando nós estamos a querer, por via do aumento de impostos, estar sistematicamente a encontrar mais fonte de rendimento, seja para o que for, necessariamente, não é uma dimensão virtuosa», sustentou o ministro.

«E, não sendo virtuosa, ela pode ser excecional, pode ser extraordinária, pode ser de necessidade, mas não é seguramente o melhor caminho para conseguir financiamento», acrescentou.

Para Aguiar-Branco, a melhor maneira de assegurar financiamento é «prosseguir as reformas estruturais» para haver «capacidade para uma gestão mais eficaz, para um combate ao desperdício» e assim «libertar recursos para a economia e para as empresas», atacando «os bloqueios que impedem que as empresas assumam a sua missão de gerar riqueza e criar emprego», acrescenta a Lusa.