O Partido Socialista (PS) quer que o Governo suspensa as privatizações da CP Carga e da EMEF, aprovadas na quinta-feira em Conselho de Ministros, alegando «falta de legitimidade política para avançar com processos que exigem maturação».

Em declarações à Lusa, o deputado socialistas João Paulo Correia defendeu que «o Governo se encontra em fim de mandato», questionando «a legitimidade política para avançar com processos desta importância, processos que merecem sempre algum tempo de preparação e de maturação».

«Não nos parece que o ambiente de fim de mandato seja o mais adequado, sobretudo, num contexto em que o Governo tem tido experiências infelizes, nomeadamente com o concurso do Metro do Porto e da STCP, em que os prazos derraparam brutalmente, porque foi lançado à pressa», argumentou.

«Essa trapalhada recente leva a pensar em novas derrapagens», acrescentou, referindo que o ministro da Economia, Pires de Lima, será confrontado com estas preocupações a 08 de abril, em comissão de Economia.

Mais, o deputado lamentou que o Governo não tenha revelado os estudos que sustentam a decisão do Governo de alienar a CP Carga e a EMEF - Empresa de Manutenção do Material Ferroviário.

O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, antecipou na quinta-feira que as privatizações da CP Carga e da EMEF deverão estar concluídas até ao final da legislatura, depois de terem sido hoje aprovadas em Conselho de Ministros.

«A nossa expectativa é de que o processo possa estar concluído no decurso desta legislatura, com a escolha do parceiro ou parceiros que possam adquirir o capital destas companhias», disse Sérgio Monteiro, na conferência de imprensa, após o Conselho de Ministros.

Na sequência da aprovação dos processos de privatização da CP Carga e da EMEF - Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, acrescentou Sérgio Monteiro, o Governo nomeará uma comissão de acompanhamento, tal como sucedeu nos restantes processos de venda, «no momento em que o diploma for promulgado».

A secretária de Estado do Tesouro, Isabel Castelo Branco, e o secretário de Estado dos Transportes lembraram que o caderno de encargos será conhecido depois da promulgação do decreto-lei pelo Presidente da República e sua publicação.