Catarina Martins afirmou, nesta quinta-feira, que a presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, vive no país da direita, "à espera que corra tudo mal", e que os relatórios do CFP são "tudo menos isentos".

Durante a arruada da campanha autárquica, que esta tarde desceu a Rua Morais Soares, em Lisboa, a líder bloquista foi questionada sobre a ideia defendida hoje por Teodora Cardoso, de que a redução do défice não deve ser o único motivo para reduzir impostos e aumentar despesa pública, considerando que é necessário fazê-lo de forma estrutural.

Não há nenhuma razão para voltar atrás nesse caminho [de recuperação de rendimentos] por causa de um relatório de uma entidade que, de facto, falhou clamorosamente as últimas previsões que fez e como já toda a gente sabe os relatórios têm sido do ponto de vista técnico falhados e do ponto de vista político são tudo menos isentos."

Interrogada sobre se teme que o relatório hoje conhecido influencie negativamente as negociações para o Orçamento do Estado para 2018, a líder do BE foi perentória: "o Governo sabe tão bem como nós como os relatórios do Conselho de Finanças Públicas têm errado nas suas previsões e, portanto, não há razão nenhuma para que assim seja."

A doutora Teodora Cardoso tem feito vários relatórios dizendo que devolução de rendimentos é impossível e que trará a catástrofe e tem-se visto que, ao contrário, é recuperar salários, pensões, que tem feito bem à economia portuguesa, começa-se a criar algum emprego no país."

Para a coordenadora do BE, há atualmente em Portugal dois países, sendo um deles aquele em que "ainda vive a direita", o país do "doutor Pedro Passos Coelho, da doutora Teodora Cardoso, que estão à espera que corra tudo mal".

E um outro país, feito de quem vive do seu salário, da sua pensão, que o que têm é a expectativa de que se continue a recuperar os rendimentos das pessoas porque nenhum país estará melhor se as pessoas não estiverem melhor."

O único caminho é, para Catarina Martins, "continuar esse trabalho de recuperar rendimentos, fazer justiça fiscal, lembrar que para os lucros das grandes empresas houve já vários cortes de impostos e para quem vive do seu trabalho, pelo contrário, a carga fiscal continua tão alta".

Nós temos que fazer o nosso trabalho com base nos compromissos que fizemos em 2015. Provou-se virtuoso em Portugal recuperar rendimentos do trabalho, salários e pensões."

A líder do BE quer assim continuar "a trabalhar para cumprir os compromissos" feitos em 2015 com o PS, no acordo assinado para apoiar parlamentarmente o Governo liderado por António Costa.

O CFP apresentou hoje a atualização do relatório 'Finanças Públicas: Situação e Condicionantes 2017-2021', no qual melhorou as suas projeções para a economia e contas públicas para esse período. Para o próximo ano, e a menos de um mês da entrega da proposta do Orçamento do Estado para 2018 (2018), a entidade estima agora que a economia cresça 2,1% e que o défice orçamental represente 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB).